Brasil quer posicionar-se como centro regional para o investimento relacionado com a inteligência artificial, impulsionado por investimentos públicos e privados.
A economia brasileira tem-se mostrado bastante resiliente nos últimos anos, mas está a perder força, após quatro anos de crescimento acima da tendência. Segundo um relatório da Crédito y Caución, prevê-se que o crescimento do PIB abrande para 2,0 % em 2026 e 1,3 % em 2027, à medida que o ritmo de flexibilização monetária desacelera perante uma inflação superior ao previsto (4,4 %).
Embora o Brasil seja um país exportador líquido de energia, a subida dos preços dos combustíveis e fertilizantes importados, devido à guerra com o Irão, fez aumentar os custos internos dos combustíveis, dos transportes e dos alimentos. Soma-se ainda o fenómeno El Niño de grande intensidade, que constitui o principal risco descendente para a economia brasileira, uma vez que as previsões de secas e de inundações podem vir a perturbar a agricultura e a produção hidroelétrica.
Por outro lado, no que diz respeito à política comercial, o Brasil encontra-se numa posição mais favorável para absorver choques externos. Trata-se de uma economia grande e relativamente fechada, com exportações que representam cerca de 18 % do PIB e para os Estados Unidos inferiores a 2 % do PIB. Este facto limita o impacto macroeconómico do aumento das tarifas norte-americanas.
Por outro lado, o país procura cada vez mais posicionar-se como centro regional para o investimento relacionado com a inteligência artificial. Iniciativas públicas e privadas estão a apoiar o desenvolvimento de centros de dados e de infraestruturas na nuvem, enquanto o amplo mercado interno do país e os abundantes recursos de energia renovável proporcionam condições favoráveis à expansão do setor. Além disso, a utilização crescente da IA em setores como a saúde e a energia poderá favorecer o aumento da produtividade e reforçar as perspetivas de crescimento a médio prazo.
No entanto, a política orçamental continua a ser a principal vulnerabilidade a médio prazo. O atual quadro orçamental não tem sido suficiente para estabilizar o peso da dívida, e os elevados custos com juros mantêm o défice global acima de 8 % do PIB.
Sobre a Crédito y Caución
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