A capacidade de pagamento no Médio Oriente mantém-se intata, apesar da queda do petróleo

O estudo divulgado pela Crédito y Caución analisa as oito economias mais representativas do Médio Oriente e do Norte de África.

Madrid - 06-ago-2015

A economia do norte de África e do Médio Oriente encontra-se afetada pela descida dos preços do petróleo, segundo o último estudo divulgado pela Crédito y Caución. De acordo com as análises publicadas pela seguradora, um dos operadores líderes em seguro de crédito em Portugal, sobre as oito economias mais representativas da região, os países com forte dependência do setor petrolífero enfrentam desfasamentos significativos quanto às suas contas públicas. Os países produtores mantêm a sua solvência graças às grandes reservas de moedas estrangeiras. Contudo, se este preço se mantiver a longo-prazo será necessário tomar medidas para reduzir os seus gastos. Os países não produtores da região enfrentam outros problemas, especialmente o do impacto da insegurança no turismo. 

Arábia Saudita

A Arábia Saudita caracteriza-se por ter uma economia dependente do setor petrolífero, com fortes controlos governamentais sobre as principais atividades económicas. O crescimento irá ver-se afetado negativamente pela diminuição dos preços de petróleo, e espera-se que o crescimento do PIB reduza 3% em 2015.

Desde 2011, o Governo aumentou as despesas públicas em salários públicos, serviços sociais e investimentos. Visto que o petróleo representa 93% das receitas públicas, não é de surpreender que a diminuição do preço do petróleo tenha um impacto negativo sobre as finanças públicas. No entanto, o Governo aprovou umas contas públicas expansivas em 2015 que registaram um défice orçamental de 14,3%.

Devido às suas grandes reservas internacionais de mais de 700.000 milhões de dólares e ao seu baixo nível de dívida pública, apenas 2% do PIB, a Arábia Saudita é capaz de financiar facilmente este défice e manter as despesas públicas elevadas durante vários anos.

Emirados Árabes Unidos

A economia dos Emirados Árabes Unidos, a segunda maior no mundo árabe depois da Arábia Saudita, diversificou-se com êxito: 71% do PIB total dos Emirados Árabes Unidos vem de outros setores, além do petróleo.

Apesar da diversificação global, espera-se que a descida de preço do petróleo se reflita no crescimento económico, não só através de uma redução das receitas provenientes da exportação petrolífera, mas também porque este preço mais reduzido irá afetar o Dubai como fornecedor de serviços para outros países exportadores de petróleo da região.

Espera-se que em 2015 o crescimento do PIB seja lento, a um ritmo de 3,2% em 2015. É provável que o equilíbrio fiscal dos Emirados se converta num défice em 2015 e 2016 devido ao aumento das despesas públicas e das receitas do petróleo porém, tendo em conta os seus ativos em moeda estrangeira, será capaz de financiar facilmente o aumento das despesas e o futuro bem-estar do país. Calcula-se que os fundos soberanos dos Emirados Árabes Unidos irão superar os 970.000 milhões de euros. Só o de Abu Dhabi alcança os 650.000 milhões.

Argélia

A economia da Argélia, onde o setor do petróleo e do gás representa mais de 95% das receitas de exportação, irá sofrer uma desaceleração de 2,6% em 2015. Este mercado sofre o impacto da descida do preço do petróleo. A Argélia está a procurar avançar para uma economia de mercado, no entanto as suas abundantes reservas de petróleo e gás, a sua história e os anos de guerra civil geraram um controlo estatal significativo sobre a economia que ultrapassa, segundo diversas estimativas, 90% do PIB.

Contudo, a Argélia será capaz de manter um longo período de preços do petróleo baixos, devido ao tamanho das suas reservas de moeda estrangeira, que ultrapassam os 179.000 milhões de dólares. 

Kuwait

A economia do Kuwait é altamente dependente das vendas de petróleo e de gás, que representam 50% do PIB, 95% das receitas de exportação e 85% das receitas públicas. Espera-se que o crescimento económico desacelere até 1,7% em 2015, devido à descida do preço do petróleo e da diminuição da produção.

Apesar da elevada dependência do setor petrolífero, não se espera que o orçamento público evolua para um défice em 2015. A posição financeira do Kuwait permanece forte: reduzido nível de dívida externa, de 25% do PIB; e um fundo soberano com ativos no valor de 548.000 milhões de dólares.

Marrocos

Marrocos não é um país produtor de petróleo. A agricultura emprega 40% da população e tem um impacto significativo no consumo privado e na economia. A Crédito y Caución prevê que o PIB de Marrocos cresça 4,6% em 2015, impulsionado pela retoma da agricultura e pelo aumento das exportações na zona euro.

Nos últimos anos, Marrocos tem aumentado os seus esforços para diversificar a economia através do desenvolvimento da produção industrial no setor automóvel, aeronáutico e da eletrónica.  A situação de solvência de Marrocos é aceitável, embora a dívida externa ascenda a 49%. Um risco potencial para a economia marroquina continua a ser o agravamento da zona euro, cuja importância advém do facto de ser um destino de exportações importante. 

Egipto 

A situação económica no Egipto também melhorou e é esperado que a economia cresça mais de 4%, devido a uma melhoria empresarial, ao aumento do investimento e ao crescimento da procura interna. Desde o golpe militar, o país conseguiu mais de 20.000 milhões de dólares em ajudas e investimentos de diversos Estados do Golfo com o objetivo de apoiar a estabilidade da economia egípcia. A dívida interna é muito elevada, 94% do PIB, pelo que o apoio financeiro externo continua a ser necessário dado o défice orçamental e o baixo nível das reserva de divisas. 

Jordânia

O crescimento económico da Jordânia encontra-se afetado negativamente pelos conflitos da região. Os fluxos comerciais com o Iraque, destino importante de exportação, diminuíram e o turismo e o investimento têm-se visto afetados pelos problemas de segurança. No entanto, espera-se que a economia cresça de 3,1% em 2014 para 4,3% em 2015, devido ao crescimento do setor da construção, das reformas económicas, da ajuda financeira dos Estados do Golfo e do Fundo Monetário Internacional.

A Jordânia apresenta uma grande necessidade de financiamento externo. A dívida externa é elevada, 66% do PIB, e apresenta uma estrutura desfavorável a curto-prazo. No entanto, a situação de liquidez é boa já que as reservas de divisas aumentaram graças ao financiamento externo.

Tunísia

Espera-se que a economia cresça moderadamente em 2015 graças ao aumento da procura na zona euro. O turismo representa 7% da produção económica da Tunísia e emprega 15% da força laboral. Este pilar económico pode ser afetado, após os recentes ataques terroristas.

O défice orçamental é elevado, 4,5% do PIB, devido ao aumento das despesas de caráter social e dos investimentos. Contudo, espera-se que a diminuição de preços do petróleo e dos alimentos atenuem as finanças públicas.

Espera-se que a dívida externa alcance 61% do PIB em 2015. A Tunísia tem uma forte necessidade de financiamento externo. Recebe o seu maior apoio financeiro do FMI, do Banco Mundial, dos países europeus e dos EUA.

 

Sobre a Crédito y Caución

A Crédito y Caución  é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Portugal, com uma quota de mercado de 25%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 85 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços. Desde 2008 é o operador do Atradius em Portugal, Espanha e Brasil.

Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 50 países, que tem acesso a informação de crédito em mais de 200 milhões de empresas em todo o mundo. O operador global consolida a sua actividade no âmbito do Grupo Catalana Occidente.

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