A zona euro supera a crise, mas continua vulnerável

Os ajustamentos severos e as reformas institucionais devolveram a estabilidade à zona euro, mas continua o risco de um período prolongado de estagnação económica.

Madrid - 31-jul-2014

O risco de uma crise iminente na zona euro desapareceu. Contudo algumas vulnerabilidades do modelo europeu continuam presentes, o que compromete o mercado único para crises futuras. Esta é a principal conclusão do relatório `Já acabou a crise da zona euro?´, divulgado pela Crédito y Caución. `A existência do euro já não se questiona, no entanto a crise económica continua o seu curso: a recuperação económica ainda está longe de ser total, o desemprego continua demasiado elevado e a inflação é reduzida. Muitos consumidores e empresas de toda a zona euro ainda sentem o seu impacto. Além disso, os problemas fundamentais que levaram à crise do euro ainda não foram totalmente abordados. O quadro institucional continua a ser insuficiente e as iniciativas de mudança têm sido dificultadas pela complacência e pelo cansaço perante as reformas. A divida pública e privada também continua alta. Isto deixa a zona euro numa situação de vulnerabilidade perante crises futuras´, refere o relatório.

O estudo divulgado pela seguradora, que abrange os riscos associados a operações comerciais entre empresas de todo o mundo, salienta que a dimensão da economia da zona euro situa-se ainda abaixo dos níveis que alcançou antes da crise. `Como resultado da profunda contração de 2009 e do crescimento débil desde então, no encerramento do primeiro trimestre, a extensão da economia da União Europeia encontrava-se ainda 2,5% abaixo dos seus níveis anteriores à crise, o que significa que 2014 será o sétimo ano abaixo dos máximos históricos´, refere o documento difundido pela Crédito y Caución. A situação é mais grave nos estados membros do Sul da Europa. Em Itália e Espanha a perda de dimensão é de 9% e 7% respectivamente, e no caso da Grécia a diminuição afeta uma quarta parte da sua produção económica.

Embora os efeitos da crise ainda persistam, o risco de um colapso da zona euro desapareceu na sequência de profundos ajustamentos por parte dos países em crise. Além disso registam-se melhorias no quadro institucional da zona euro e existe um compromisso assumido pelo Banco Central Europeu em fazer o `que for necessário´ para proteger o euro.

As reformas estruturais, socialmente dolorosas, cumpridas ao limite pela Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha contribuíram para o reequilíbrio das economias dos países que sofreram a crise com maior intensidade. As quedas dos seus custos unitários laborais, 8,5% em Espanha e 13% na Grécia, melhoraram a competitividade, impulsionando as exportações, reduzindo as importações e transformando a conta-corrente dos grandes défices em excedentes.

A União Europeia fortaleceu a coordenação das suas políticas, a vigilância fiscal e ampliou a supervisão dos desequilíbrios macroeconómicos. Por outro lado, têm-se obtido avanços importantes para a união bancária, o que aumenta a solidez da zona euro. Apesar dos avanços, o relatório confirma a existência de um problema no financiamento das empresas no sul da Europa. `Apesar da queda das taxas de juro nos empréstimos ao consumo e corporativos ao longo do último ano, estas permaneceram elevadas nos mercados do sul e muito mais altas do que na Alemanha. As empresas de Espanha e Itália estão a pagar cerca de 50% mais pelo seu crédito novo do que as empresas alemãs´, refere o relatório.

A queda da dívida soberana, o melhoramento das condições de financiamento para os bancos e empresas da zona euro e a melhoria do ambiente económico mundial, contribuíram para o regesso do crescimento da economia na zona euro durante 2013, incluindo os países em crise, exceto a Grécia. Este aumento do crescimento e os menores custos de financiamento reduziram o encargo da dívida e melhoraram a solvência dos governos da eurozona, bem como do setor privado. Neste contexto, os países mais afetados pela crise puseram fim aos seus programas oficiais de apoio.

Contudo, o crescimento económico continua a ser lento em toda a zona euro, condicionado pela fraqueza dos investimentos empresarias e dos gastos do consumidor. O poder de compra dos consumidores continua sob pressão, já que os governos aumentaram os impostos e baixaram os subsídios com o objetivo de melhorar as finanças públicas. O desemprego, ainda elevado, também exerce pressão sob a procura do consumidor. A taxa de desemprego mantém-se em níveis recordes em Espanha e na Grécia. `Com um crescimento económico débil e a inflação a cair, o receio de um período prolongado de estagnação da economia da zona euro aumenta´, conclui o relatório.


Sobre a Crédito y Caución
 
A Crédito y Caución  é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Portugal, com uma quota de mercado de 23%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 85 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços. Desde 2008 é o operador do Atradius em Portugal, Espanha e Brasil.

Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 50 países, que tem acesso a informação de crédito em mais de 100 milhões de empresas em todo o mundo. O operador global consolida a sua actividade no âmbito do Grupo Catalana Occidente.

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