Risco de crédito agrava-se no setor dos bem de equipamento

Em Portugal, a incerteza neste setor é muito elevada, ainda que alguns indicadores permitam antecipar uma evolução mais positiva do que o previsto em 2013.

Madrid - 19-ago-2013

Segundo o estudo realizado pela Crédito y Caución, está prevista uma ligeira queda na produção do setor dos bens de equipamento no mercado europeu em 2013, apesar dos valores referentes a 2012 terem registado uma recuperação no setor, graças ao setor automóvel e das energias renováveis.

Este estudo revela que a evolução registada em 2012 poderá comprometer o crédito das empresas de maquinaria europeias ao longo do segundo semestre de 2013.

O setor dos bens de equipamento caracteriza-se pela sua elevada necessidade de financiamento, facto que leva as empresas deste mercado a incorrer em elevados níveis de endividamento que enfraquecem a sua estrutura financeira e solvência global. Outra componente que compromete a sua liquidez são os longos ciclos de produção que, em muitos casos, sendo pagos antecipadamente atenuam a situação de liquidez.

Em Portugal, a indústria dos bens de equipamento tem vindo a apresentar sucessivas quedas na sua atividade desde meados de 2012, ajustando a sua estrutura ao ambiente de recessão do mercado nacional, bem como à dos mercados alvo das suas exportações. Desde fevereiro de 2013 que a intensidade das quedas começou a melhorar gradualmente, refletindo uma possível mudança na tendência, mesmo que pouco significativa, e através da qual se têm registado melhorias na evolução dos indicadores de investimento.

A exportação é um dos aspetos que tem minimizado a redução da atividade neste setor, tendo em conta que a indústria da maquinaria é a categoria que tem maior peso nas exportações de mercadoria em Portugal.

Continua a existir uma grande incerteza sobre a tendência deste setor até ao final de 2013, todavia é possível que a evolução venha a ser mais positiva do que o inicialmente previsto. As perspetivas para a economia portuguesa continuam a ser modestas, mas observa-se uma mudança de tendência nos indicadores-chave para o desenvolvimento do setor, tal como a confiança dos empresários portugueses.

 

Influenciadores da diminuição da procura no setor Automóvel

Em relação ao mercado europeu, a Bélgica foi o país onde se sentiu uma queda mais acentuada, onde os setores Automóvel e da Construção são os principais clientes do setor de Equipamentos. Simultaneamente, regista-se uma a quebra na quota de mercado na maquinaria belga ao nível das exportações para os países vizinhos da União Europeia [onde também se registam problemas semelhantes, mas com consequências diferentes].

Em França, o setor regista também uma queda na atividade na indústria automóvel e da construção, mas a dinâmica resultante da indústria aeroespacial, ferroviária e energia nuclear proporcionam um maior equilíbrio ao nível da atividade deste país. A produção começou a diminuir no terceiro trimestre de 2012, continuando a cair no primeiro semestre deste ano. O setor registou uma quebra de 7,5% nas exportações do primeiro trimestre de 2013.

Na Alemanha, o setor manteve-se estável entre 2010 e 2012, mas espera-se que a produção caia 1% em 2013, devido à diminuição da procura, tanto a nível interno com na Zona Euro. A crescente procura dos países BRICS [Brasil, Rússia, India, China and África do Sul] vai certamente compensar esta tendência, nomeadamente ao nível das empresas de engenharia mecânica estabelecidas em mercados emergentes em desenvolvimento, como a China.

Em Espanha, o setor tem vindo a registar um ajuste da atividade nos últimos anos. Em 2011 foi registado o último crescimento anual de 0,8%. A crise internacional, assim como a queda do consumo no setor privado e a diminuição da procura pública, ligada ao ajuste do défice público, reduziram a faturação do setor em 2012 para 5,2%, com um volume de negócio equivalentes a 2005. O primeiro semestre de 2013 continua a apresentar uma tendência de decréscimo. No entanto, nos últimos meses de 2013 espera-se uma mudança desta tendência de quebra do volume de negócios a nível global. Esta recuperação tem por base o melhor comportamento dos mercados externos que potenciam as exportações do setor de bens de equipamento espanhol. Em Espanha, este setor carateriza-se pelo seu grande peso a nível externo: presume-se que seja responsável por 17,3% do volume de exportações espanholas que exporta 89% da sua faturação.

Itália é o país onde a indústria da engenharia mecânica demonstrou, até agora, ser mais forte do que os outros setores indústrias. Todavia, está a começar a ser afetada pela diminuição das encomendas e pelos pagamentos em atraso, característica comum do ambiente de negócios italiano. Enquanto a procura interna de máquinas continuar em declínio, as exportações impulsionadas por subsetores, tais como máquinas de ferramentas de fabrico, automatização e maquinas-robot, continuam a registar um crescimento modesto de 1,5%. A produção industrial italiana também vai diminuir mais de 3% depois da quebra de 6% registada no ano passado. Estas tendências de decréscimo tendem a ter impacto direto na produção de maquinaria.

O Reino Unido também tem vindo a registar alterações na produção de maquinaria. Se no último trimestre de 2012 aumentou 2,1%, nos primeiros meses de 2013 registou um ligeiro decréscimo de 0,1%. Ainda assim, em comparação com outras indústrias do Reino Unido, o comportamento de pagamento do setor e a taxa de insolvência são favoráveis, visto que não são esperados aumentos quanto ao incumprimento por parte do setor nos próximos meses.

A Suécia apresenta uma situação mais favorável neste setor, com uma faturação e produção bastante estáveis em 2012. No entanto, este ano a procura parece ter diminuído. Uma parte importante deste setor orientada para a exportação enfrenta uma diminuição de procura por parte de países europeuque representam 70% das exportações suecas.

Na República Checa, o setor de maquinaria e engenharia está indissociavelmente ligado à indústria automóvel. O setor obteve um bom resultado durante a crise global, apesar de, atualmente, estar enfrentar as consequências da diminuição da procura dos seus automóveis e peças na zona do euro. À semelhança da Bélgica e França, as empresas que servem a indústria da construção demoram, agora muito mais tempo para pagar.

 

Sobre a Crédito y Caución

A Crédito y Caución é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Portugal, com uma quota de mercado de 28%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 80 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços. Desde 2008 é o operador do Grupo Atradius em Espanha, Portugal e Brasil.

O Grupo Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 45 países, que tem acesso a informação de crédito em mais de 100 milhões de empresas em todo o mundo.

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