Estagnação da economia europeia obriga exportadores retalhistas a virarem-se para o Brasil

Alemanha contraria tendência e prevê crescimento de 1,5% nas vendas em 2012. Brasil mostra sinais positivos para exportadores estrangeiros

Madrid - 26-mar-2012

Exepção feita à Alemanha, onde a procura de bens de consumo duradouros apresenta um crescimento saudável, por toda a Europa, o setor do retalho vive uma conjuntura negativa associada a aumento de custos, redução de margens de lucro e concorrência feroz. Os principais afetados são os subsetores vinculados ao comércio de bens de consumo duradouros [cuja vida útil é superior a um ano], como eletrodomésticos, móveis, eletrónica de consumo ou comunicações.

Apesar das perspetivas pouco animadoras para o setor do retalho, na maioria dos países europeus existe motivo para algum otimismo, principalmente para os exportadores estrangeiros orientados para o mercado brasileiro, já que todos os indicadores deste país sobre bens de consumo duradouros registam um forte crescimento. Paralelamente, nos Estados Unidos, a retoma na venda de casas usadas pode ser interpretada como um sinal positivo para o estimulo da venda de mobiliário e eletrodomésticos.

Esta realidade é apresentada pela Crédito y Caución no seu último Market Monitor, observatório setorial que traça previsões sobre o grau de insolvências e incumprimento nas empresas, nesta edição dedicado ao setor do retalho de bens de conumo duradouros, em vários mercados europeus e internacionais.

Espanha: Tendência de queda em todos os subsetores

Segundo dados do `Instituto Nacional de Estadística´, de 2011, as vendas no setor do retalho caíram, em Espanha, 5,8% face a igual periodo do ano anterior, registando o subsetor não alimentar uma quebra de 7,5%. Esta tendência manteve-se em janeiro de 2012, com uma queda do comércio retalhista de 4,8% face a igual período de 2011. Durante os nove primeiros meses de 2011, o volume de negócios registado pelo subsetor da venda de móveis recuou 5,2% face ao ano anterior. Nesse mesmo periodo, as vendas a retalho de equipamentos informáticos e de eletrónica de consumo caíram 3,8% e 5,6%, respetivamente. No subsetor dos eletrodomesticos a quebra no volume de negócios foi bastante mais acentuada com uma redução de 16,8%, em grande parte, devido aos atuais ajustamentos em curso no setor immobiliário. Esta contração prolongada na procura de bens de consumo duradouros vai levar as empresas retalhistas a procurarem sinergias, a centrarem-se na internacionalização e a ajustarem os custos estruturais. No subsetor dos grandes eletrodomésticos, o mercado espanhol tem assistido a restruturações frequentes.

França: Queda do consumo privado afeta resultados

Em 2012, o comércio de bens de consumo duradouros vai ter, no mercado gaulês, um crescimento económico nulo e um aumento muito moderado do consumo privado [0,2% segundo as previsões de Consensus Economics de março].  O subsetor das vendas de eletrónica de consumo caiu 4,7%, em 2011, sustentado, mesmo assim, pela venda de PC e tablets [+5%]. Outra realidade a destacar no setor do retalho francês é a das vendas online, que parece representar um desafio cada vez maior para o comércio tradicional e um sinal aos retalhistas para adaptarem as respetivas estratégias. Segundo dados do Banque de France, em 2011, o número de franceses que realizou compras online aumentou 11% face a igual período do ano anterior. Os sinais positivos vão para o subsetor dos pequenos eletrodomésticos que prevê manter-se estável, em 2012, depois de um crescimento de 3,3% no volume de negócios em 2011 e para o subsetor dos móveis que registou um volume de vendas record em 2011, com um aumento de 2,5%. Neste campo, os melhores resultados associam-se ao segmento do mobiliário de cozinha. Os atrasos nos pagamentos e o número de insolvências deve continuar a aumentar no setor francês do retalho de bens de consumo duradouros. O subsetor da linha castanha/eletrónica continua a ser o de maior risco mas como a maioria das empresas desse segmento, em França, se caracteriza por vender uma ampla gama de produtos, este seu `mix´ pode ser decisivo para a sua capacidade de resistência em 2012.

Alemanha: Maior crescimento em 2012, mas a um ritmo mais lento que em 2011

A Federação Alemã de Comércio [HDE] registou um crescimento nominal do volume de negócios de 2,4% e um aumento das vendas de 1,2% no setor do retalho em 2011 [números excluem a venda de carros, estações de serviço e farmácias]. Nesse ano, o subsetor da venda de móveis registou um aumento do volume de negócios de 2,5%; as vendas de eletrodomésticos cresceram 3,5% e as vendas no segmento da eletrónica de consumo aumentaram 4,5%, impulsionadas principalmente pela venda de smartphones, que cresceu 126% em 2011.

Em geral, a Federação de Comércio HDE espera que as vendas de bens de consumo duradouros permaneçam relativamente estáveis em 2012 prevendo um crescimento nominal de 1,5% para este ano [0,5% ajustado por preço]. A melhoria nos comportamentos de pagamento registada ao longo dos primeiros nove meses de 2011 manteve-se no quarto trimestre, com a maioria das empresas a respeitar os prazos de pagamento.

Brasil: Crescimento mantém-se em 2012

Todos os subsetores de bens de consumo duradouros registaram, no Brasil, um sólido crescimento no final de 2011, uma tendência que deverá continuar em 2012, sustentada pelo forte consumo privado que cresceu 4,1% em 2011, face a 2010. O aumento da inflação nos preços ao consumidor [6,5% em 2011] não teve um impacto significativo nas vendas de bens de consumo duradouros já que, no mercado brasileiro, esses produtos são, por norma, vendidos a prestações. Outro fator favorável ao setor brasileiro do retalho foi também a queda, no final de 2011, do preço dos produtos de marca branca devido à redução do imposto sobre produtos industrializados [IPI] que se mantém até final de março 2012. A elevada procura interna, apoiada pela força do real brasileiro a uma taxa de cambio favorável, tem, paralelamente, impulsionado as importações, nomeadamente de produtos asiáticos de baixo custo com um impacto negativo para os fabricantes nacionais de bens de consumo duradouros que tentam compensar os seus preços menos competitivos recorrendo, cada vez mais, a serviços financeiros que facilitam o pagamento, como forma de reter clientes.

Outro aspeto a destacar neste mercado brasileiro prende-se com a concorrência feroz no segmento dos equipamentos eletrónicos. Os três atores principais [Pão de Açúcar, Ricardo Eletro e Magazine Luiza] estão em constante disputa pela maior cota de mercado. Paralelamente, as fusões e o processo de consolidação do mercado operado nos últimos anos no setor do retalho têm permitido um maior investimento e expanção empresarial, especialmente na região do nordeste e nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo.

Estados Unidos: Ligeiro retrocesso do consumo privado em 2012

O consumo privado cresceu 2,2% nos EUA, em 2011, e deve cair 2,0% este ano. Atendendo à permanência do desemprego em níveis elevados e à não progressão do aumento dos salários ao ritmo da inflação, é provável que persista uma maior pressão sobre os gastos de consumo. Apesar de tudo, no conjunto dos subsetores do retalho de bens de consumo duradouros, o mercado dos eletrodomésticos apresenta, nos Estados Unidos, um crescimento, ainda que moderado, com um aumento das vendas de 0,9% entre janeiro e novembro de 2011 face a igual período do ano anterior. O aumento das vendas de casas usadas e o consequente aumento dos gastos dos proprietários com a requalificação e melhoria das habitações devem ter um impacto positivo nesse subsetor em 2012. Já o subsetor da eletrónica de consumo caiu 1% em 2011 em relação a 2010, uma quebra que poderia ter sido significativamente maior, não fosse a venda de telemóveis e tablets ter registado um forte crescimento. Só os tablets representam 10,7% das vendas de eletrónica comparativamente com  5,1% em 2010. Este subsetor deverá crescer 3,7% em 2012. Os prazos de  pagamento no setor do retalho dos bens de consumo duradouros são, nos EUA, de 30 a 60 dias. Na globalidade, não se prevê, nesse mercado, um aumento substancial das insolvências em 2012.

Acerca de Crédito y Caución

A companhia de seguros Crédito y Caución contribui há cerca de 80 anos para o crescimento das empresas, protegendo-as contra os riscos da falta de pagamento associados às suas vendas a crédito de bens e serviços. A Crédito y Caución tem uma quota de mercado de cerca de 33% em Portugal e de 55% em Espanha, o que faz com que seja líder do setor no mercado ibérico. Além disso, a companhia expandiu recentemente a sua atividade direta para o Brasil.

A Crédito y Caución é a operadora nos três mercados do Grupo Atradius, que está presente em 42 países através de 160 escritórios. A Atradius tem acesso às informações comerciais de 60 milhões de empresas em todo o mundo e é responsável por tomar mais de 20.000 decisões diárias sobre limites de crédito.

 

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