Setores como o aço, produção automóvel, bens de consumo duradouro, papel e têxtil apresentam um risco de incumprimento elevado.

O setor vê-se gravemente afetado pela forte diminuição da procura dos setores automóvel e energético. A situação financeira dos produtores e comerciantes de aço está a deteriorar-se. Estima-se que o valor acrescentado do ferro e do aço sofra uma contração de 15% em 2020.
O setor mantém, de momento, um risco de incumprimento médio, mas os riscos de deterioração aumentaram devido à pandemia do coronavírus. O desempenho do setor vê-se afetado pelas consequências do confinamento, que geraram problemas no transporte e na cadeia de fornecimento, além de falta de trabalhadores temporários. No segmento da carne, o fecho das fábricas de produção devido à propagação do COVID-19 afetou gravemente as explorações. Prevê-se que o valor acrescentado da agricultura sofra uma redução de 3% em 2020, após um aumento de 4,4% em 2019.
A concorrência no setor é constante, em especial nos segmentos da distribuição e do comércio a retalho. O aumento dos custos das matérias-primas e da energia, assim como as mudanças nas preferências dos consumidores devido a estilos de vida mais saudáveis, estão a ter um impacto negativo nas margens e na rentabilidade de muitas empresas dedicadas à produção alimentar. Atualmente, os distribuidores que abastecem restaurantes ou hotéis são os mais vulneráveis. Prevê-se que o valor acrescentado do setor alimentar diminua perto de 1% em 2020.
Os concessionários de venda de automóveis estão a sofrer uma forte deterioração das suas vendas de veículos de turismo e comerciais, o que está a gerar uma diminuição geral das margens e resultados, graves tensões de liquidez e défice de receitas. Os principais produtores de automóveis dos Estados Unidos pararam a produção durante várias semanas. Antecipa-se que o valor acrescentado do setor automóvel diminua 28% em 2020. No segmento dos transportes, as companhias aéreas reduziram drasticamente os seus voos e os operadores de linhas de cruzeiro suspenderam as saídas, com os barcos incapazes de encontrar portos para atracar. Prevê-se que o valor acrescentado do setor de transportes sofra uma redução de quase 17% em 2020. Antecipa-se que os atrasos nos pagamentos e as insolvências aumentem drasticamente, tanto no setor automóvel como nos transportes.
O setor das vendas a retalho de produtos não alimentares confronta-se com o fecho de lojas, diminuição do consumo privado e forte aumento no desemprego devido à disseminação do coronavírus nos Estados Unidos. Até ao momento, as lojas de mobiliário são as mais afetadas, enquanto os estabelecimentos de comercialização de eletrodomésticos parecem funcionar melhor. Contudo, a persistência de uma taxa de desemprego elevada levará a que os consumidores adiem novas aquisições. Prevê-se que o valor acrescentado das vendas a retalho diminua mais de 12% em 2020 e que os atrasos nos pagamentos e as insolvências aumentem consideravelmente.
Prevemos que o valor acrescentado do setor da construção contraía 3,5% em 2020, após vários anos de crescimento robusto, em linha com o sólido desempenho económico dos Estados Unidos antes da pandemia do COVID-19. O subsetor de materiais de construção beneficiou do aumento de preços em 2019. Contudo, uma recessão prolongada representaria um importante risco de falência para as empresas do setor e aumentaria o risco de crédito ao longo da cadeia de valor, especialmente para as empresas de menor dimensão, que o ano passado já revelavam níveis de insolvência superiores à média. Dado que a alavancagem das empresas de construção e a sua dependência do financiamento bancário costumam ser elevados, as restrições no acesso ao crédito bancário afetariam, claramente, a saúde financeira destas empresas.
O desempenho das empresas que operam neste setor apresenta amplas diferenças, dependendo da diversificação das suas cadeias de fornecimento e do impacto do confinamento provocado pela COVID-19 na interrupção das operações de fabrico e na disponibilidade de fornecimento. Prevê-se que o valor acrescentado das TIC estabilize ou contraia ligeiramente em 2020, após um crescimento de 4,7% em 2019.
As entidades financeiras estão muito mais sólidas que durante a crise de crédito de 2008/2009. No entanto, foi necessário que a Reserva Federal dê-se um passo em frente para apoiar os empréstimos a curto prazo. Prevê-se que o valor acrescentado do setor financeiro diminua mais de 7% em 2020.
O setor tem sido, até agora, bastante resistente já que a maioria das empresas se encontra numa situação financeira estável e beneficia da forte procura dos setores da construção e automóvel, bem como da lei do Emprego e Reduções Fiscais de 2017. No entanto, uma descida continuada na procura por parte das principais indústrias compradoras constitui um importante risco de retrocesso. Espera-se que o valor acrescentado da engenharia diminua mais de 10% em 2020, após um crescimento anual em 2018 e 2019.
O setor tem sido bastante resistente e a maior parte das empresas encontra-se numa situação financeira estável, beneficiando, até há pouco, da forte procura da construção e do setor automóvel, bem como do aumento das tarifas sobre as importações. Contudo, uma descida persistente da procura por parte das principais indústrias compradoras representaria riscos importantes de retrocesso. Prevê-se que o valor acrescentado da produção de metais diminua mais de 13% em 2020, após o crescimento registado em 2018 e 2019.
Os fabricantes de papel e as indústrias de impressão gráfica veem-se estruturalmente afetados pelo processo de digitalização em curso. Atualmente, as interrupções na cadeia de fornecimento resultantes das medidas de contenção têm um efeito negativo. Espera-se que o valor acrescentado do setor sofra uma contração superior a 14% em 2020, após uma diminuição de 2,6% em 2019.
Devido à importante diminuição dos preços do petróleo, o subsetor da energia e dos combustíveis sofre uma grave descida dos investimentos e das receitas. Haverá, nos próximos meses, uma forte pressão sobre as margens das empresas e é esperado que as insolvências aumentem neste segmento. A venda de produtos químicos sofre com a diminuição da procura por parte de setores chave como o setor automóvel. Prevê-se que o valor acrescentado dos produtos químicos diminua quase 12% em 2020. Espera-se que o crescimento dos produtos farmacêuticos sofra uma contração superior a 10%.
Alguns subsetores como o dos hotéis, restaurantes, bares, espetáculos, eventos culturais, agências de viagens e operadores turísticos foram muito afetados pela diminuição da atividade e pelos confinamentos resultantes da pandemia do coronavírus. No entanto, a procura de cuidados médicos, educação e serviços governamentais mantiveram-se estáveis e inclusivamente até aumentaram. Espera-se que o valor acrescentado do setor dos serviços tenha uma contração de 4% em 2020, enquanto a hotelaria cairá 25%.
Os fabricantes, grossistas e retalhistas já sofriam antes do surto de COVID-19 devido à forte concorrência e às margens reduzidas. A deterioração das vendas devido ao confinamento exacerbou a crise e espera-se um forte aumento das insolvências de retalhistas do setor têxtil em 2020. Antecipa-se que o valor acrescentado do setor tenha uma diminuição de 18% em 2020, depois de uma redução de 2% em 2019.
Sobre a Crédito y Caución
Crédito y Caución é uma das marcas líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Portugal, com uma quota de mercado de 26%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, protegendo-as dos riscos de incumprimento associados a vendas a crédito de bens e serviços. A marca Crédito y Caución também está presente em Espanha e no Brasil. No resto do mundo opera como Atradius. Somos um operador global de seguro de crédito presente em mais de 50 países. A nossa actividade consolida-se no Grupo Catalana Occidente.
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