A electrónica de consumo deixa de ser um luxo e torna-se um bem essencial

O relatório da Crédito y Caución sobre o comportamento do sector dos electrodomésticos e da electrónica de consumo nos mercados internacionais, conclui que este tipo de produtos se tornaram bens essenciais.

Madrid - 30-mai-2011

A economia internacional habituou-se a considerar a electrónica de consumo e as Tecnologias de Informação e Comunicação [TIC] como gastos acessórios, ou seja, bens não essenciais. No entanto, um estudo apresentado pela Crédito y Caución, seguradora de crédito líder no mercado ibérico mostra que é tempo de rever essa classificação, dado que, cada vez mais, os equipamentos electrónicos se vão convertendo em produtos essenciais do dia-a-dia.

O estudo da Crédito y Caución reúne perspectivas e indicadores de evolução para o sector das Tecnologias de Informação em um número significativo de mercados internacionais, incluindo o dos Estados Unidos onde a análise mostra que os equipamentos electrónicos são hoje claramente vistos como uma necessidade e já não como um produto de luxo. Nesse país, o sector das Tecnologias da Informação e Comunicação continua a crescer, impulsionado por uma rápida evolução dos Tablet PCs e da nova geração de telefones móveis.

No outro ponto do globo, espera-se que o mercado de Singapura tenha, em 2012, o maior número de computadores individuais per capita da região Ásia-Pacífico. O país converte-se assim num apetecível mercado para o sector da electrónica de consumo, com previsões de crescimento até 35% na venda de telemóveis. Não tão optimistas estão outros países como a Finlândia devido à perda de quota de mercado das suas marcas líderes frente a uma concorrência voraz. O relatório da Crédito y Caución analisa ainda a evolução do sector da electrónica de consumo e das TIC em países como a Bélgica, República Checa e Noruega.

Estados Unidos

O sector da electrónica de consumo acompanhará a tendência de 2010 e continuará a crescer a valores próximos dos 3%, graças aos eBooks, Tablet PCs e à nova geração de telemóveis. Estima-se que sejam vendidos 59 milhões de portáteis em 2011. Entre os fabricantes existe uma grande concorrência pelo que estes se vêem obrigados a reduzir os seus preços e, consequentemente, as suas margens. Depois da quebra de 1% registada em 2010, as vendas de televisões irão manter-se num patamar positivo graças aos novos modelos que contam com ligação à Internet e tecnologia 3D.

As previsões para os Estados Unidos são em geral positivas. Para 2011, a consultora Gartner prevê um crescimento de 9,1% para o sector das telecomunicações, de 7,5% no segmento do hardware e software para empresas e de 4,6% para os serviços de TIC. Por outro lado, o crescente recurso à Internet e serviços móveis tem provocado problemas na capacidade de fornecimento às empresas, uma situação que justifica amplamente o esforço de investimento que atingirá 7,2 milhões de dólares. Os Estados Unidos têm a seu favor uma taxa de insolvência inferior à média nesses sectores, sendo que os problemas de pagamento existentes se referem essencialmente a acordos comerciais com organismos públicos.

Bélgica

A Bélgica não desempenha um papel decisivo no que toca à produção em sectores como o da electrónica de consumo e comunicação. Não obstante, esse sector representa 4% do seu PIB e é um dos que mais cresce. O observatório EITO acredita que o mercado das TIC crescerá 2,6% em 2011, aproximando-se de valores anteriores aos da crise.

Um crescimento das vendas suportado por preços mais baixos e acessíveis para os cidadãos, tem implicado, como contrapartida, dificuldades para a sobrevivência dos retalhistas. Por outro lado e no que toca aos comportamentos de pagamento, são esperadas poucas mudanças. Não se prevê para os próximos meses um agravamento nos prazos de pagamento e o número de denúncias por incumprimento tem diminuído.

Singapura

O sector da electrónica de consumo é, para a economia de Singapura, um importante pilar de riqueza e crescimento, tendo sido em 2010 a indústria que mais contribuiu para o PIB do país [7%], graças à retoma da económica regional e ao crescimento da procura internacional. Convencido da necessidade de estar na vanguarda da inovação tecnológica, o país investiu em mão de obra qualificada com o intuito de atrair importantes fabricantes dedicados à produção de semicondutores tais como a IM Flash, a 3M, a Bayer, etc. Com um PIB, no primeiro trimestre deste ano, a crescer 23,5% em relação ao trimestre anterior e com perspectivas de pagamento estáveis, o país asiático abre-se a novos horizontes e dedica parte do seu investimento a novas áreas tais como, a bio electrónica, a electrónica verde, a impressão electrónica e a segurança. Os números mostram o quão promissor é Singapura, especialmente para os fabricantes de smart phones.

Finlândia

A electrónica de consumo e as Tecnologias de Informação e Comunicação [TIC] têm um peso fundamental na economia Finlandesa, já que 58 mil dos seus trabalhadores estão dedicados ao sector. A Federação Finlandesa de Indústrias associada à Tecnologia Electrónica e às TIC dedicou, nos últimos anos, cerca de 2000 Milhões de Euros à Investigação e Desenvolvimento [I&D]. No entanto, a forte dependência face às exportações [80%], torna a economia finlandesa vulnerável. As exportações caíram 47% em 2009 e a produção caiu 24%, embora, durante o ano passado, tenha recuperado em uns tímidos 6%. Se para 2011, o Instituto de Investigação da Economia da Finlândia [ETLA] prevê que a produção e as exportações aumentem 15% e 40% respectivamente, para 2012 os dois valores voltarão a cair para 9% e 10% respectivamente. Para o país nórdico, as perspectivas são boas, deixando antever resultados positivos em termos de rentabilidade e um comportamento de pagamento adequado.

República Checa

O PIB da República Checa cresceu 2,2% em 2010, no entanto, o seu crescimento económico distribuiu-se de maneira desigual, com um aumento na produção em consequência da crescente procura externa. A confiança dos consumidores mantém-se muito baixa devido a um agravamento da situação económica geral, um contexto que afectou negativamente a venda de produtos electrónicos / TIC. Ainda assim, o sector das TIC é estável e apresenta um rácio de capitais próprios em torno dos 20%. A solvência geral e a liquidez estão também estáveis. Pode ainda salientar-se um dado curioso no que toca ao desenvolvimento do sector, na República Checa: o relatório da Crédito y Caución revela que o aumento de vendas por Internet tem sido proporcional à perda de quota de mercado das lojas de retalho.

Noruega

Se por um lado, a venda de produtos de electrónica de consumo aumentou em 2010 na Noruega, os preços foram paralelamente sofrendo uma quebra, o que se traduziu numa estabilização do volume de negócios, sendo essa uma tendência que deverá manter-se em 2011. Segundo o relatório da Crédito y Caución, a Noruega registou um aumento tal na procura de smart phones e de produtos similares, que coloca o mercado interno próximo da saturação. As empresas reduziram o número de lojas abertas para diminuir custos e aumentar a eficiência. Paralelamente, a Media Markt anunciou a sua intenção de entrar no mercado norueguês no início de 2012 o que intensificará uma concorrência já de si feroz. Em média, os pagamentos no sector dos produtos electrónicos e das TIC são feitos entre 30 a 90 dias, mas tem-se assistido, nos últimos seis meses, a um agravamento dos prazos de pagamento, principalmente por parte de pequenas e médias empresas.

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