Luzes e sombras da recuperação

O director regional de Portugal e do Brasil discutidos neste fórum previsões de consenso para 2010 do Grupo Atradius, difundidadas de Crédito y Caución.

Madrid - 27-out-2010

LUZES E SOMBRAS DA RECUPERAÇÃO

Paulo Morais, Director Geral da Crédito y Caución

Ao longo deste ano, a economia mundial tem apresentado claros sinais de recuperação que mantém, ainda assim, contrastes entre países e regiões. De acordo com as últimas previsões semestrais elaboradas pela Crédito y Caución, estima-se que os Estados Unidos finalizem o ano com um crescimento de 3,3%, em linha com os 3,2% do Japão mas muito acima dos 1,1% estimados para a Zona Euro. Entre os países do espaço europeu, as diferenças são igualmente grandes: enquanto a Alemanha e a França crescerão 1,8% e 1,4%, respectivamente, a Itália não ultrapassará os 0,9%, a Espanha continuará a decrescer, apesar de a um ritmo mais lento que em 2009 e Portugal não deverá superar os 0,7% de crescimento.

Esta recuperação já está a produzir efeitos no comércio mundial, cujos riscos e oportunidades para milhões de empresas são a razão de ser do seguro de crédito. Após o registo sustentado de crescimentos médios de 7% desde 1970, em 2009 as exportações das principais economias ocidentais registaram quedas abruptas, entre os 15% e 25%. Contudo, os últimos dados apontam para uma rápida recuperação do comércio mundial, a um ritmo anual de 10%.

No entanto, nem todos os indicadores económicos apresentam a mesma evolução, o que confere algumas sombras a este cenário. Apesar do efeito catalizador induzido pelos pacotes de estímulo nesta recuperação mundial, o consumo e o investimento, principais motores do crescimento a longo-prazo, permanecem débeis. As taxas de desemprego nos Estados Unidos e na Zona Euro estabilizaram-se em torno dos 10%, sendo que nesta última existem diferenças significativas entre os 4% dos Países-Baixos e os 19% de Espanha. A produção industrial persiste 10 pontos percentuais abaixo dos níveis pré-crise, o que deixa antevêr que o desemprego se manterá durante algum tempo muito acima dos níveis de 2008. Da mesma forma, não deveremos esperar melhorias significativas dos sistemas bancários no curto-prazo, o que induz um desafio acrescido para as pequenas e médias empresas.

Ao longo dos últimos dois anos, a profundidade e gravidade da recessão mundial tem-se reflectido de forma intensa e persistente no aumento das insolvências empresariais, contribuindo para um contexto muito complexo no mundo dos negócios. A boa notícia é que as actuais expectativas de recuperação moderada implicam uma estabilização da evolução deste indicador. De acordo com as previsões da Crédito y Caución, as variações dos níveis de insolvência em 2010 nos Estados Unidos e nos mercados da Zona Euro situar-se-ão entre os 5% e 10%. A má notícia é que estima-se um agravamento deste indicador para Portugal, em linha com os últimos dados divulgados pela Crédito y Caución, que empurrará o crescimento no final do ano para o topo deste intervalo de variação. No entanto e a partir de 2011 espera-se uma melhoria generalizada de estes níveis em todos os mercados, se bem que ainda longe dos valores anteriores à recessão.

O meu conselho à generalidade das empresas portuguesas e em especial às empresas exportadoras é que reforcem de forma permanente os seus sistemas de gestão de risco de crédito ao cliente, para serem parte desse crescimento do comércio mundial repleto de oportunidades sem se desprotegerem face às ameaças de incumprimento e sem que isso possa impactar na sua solvabilidade.

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