Mantém-se deterioração da economia portuguesa

Os riscos de quebra nos lucros, atrasos nos pagamentos e aumento dos níveis de insolvências vão continuar a ser preocupações em Portugal.

Madrid - 28-abr-2010

No terceiro trimestre de 2009, o PIB aumentou 0,7% em relação ao trimestre anterior, devido, principalmente, ao pacote de estímulos introduzidos pelo Governo no final de 2008 e às reduzidas taxas de juro que proporcionaram níveis superiores de actividade. No entanto, as condições macroeconómicas mantêm-se extremamente débeis tornando bastante incertas as possibilidades de um crescimento sustentado para Portugal. A economia ressente-se de um défice orçamental elevado, enquanto alguns problemas estruturais como a fraca competitividade ao nível das competências e salários dos trabalhadores enfraquece a produtividade resultando num aumento do desemprego que aliado ao decréscimo da procura interna e externa condicionaram a actividade económica e vão continuar a fazê-lo. Os riscos de quebra nos lucros, atrasos nos pagamentos e aumento dos níveis de insolvências vão continuar a ser preocupações.

A crise espalhou-se rapidamente por todos os sectores do Comércio e da Indústria. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, o volume total de negócios caiu 12,5% em 2009 [+1% em 2008] e a produção industrial desceu 9,9% [-4% em 2008]. As exportações diminuiram 12,1% em 2009 principalmente devido à actual crise em Espanha, que é o principal mercado de exportação de Portugal, e à fraca procura nos restantes países europeus.

Apesar da performance das empresas portuguesas ao nível dos pagamentos ter melhorado no último trimestre de 2009, o indicador anual é pior do que o registado em França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha e Reino Unido, e ainda pior do que o desempenho conseguido em 2008. Enquanto as pequenas e médias empresas continuam a ter grandes dificuldades no acesso ao crédito, é esperado que os prémios de risco se mantenham severos durante o corrente ano. As insolvências aumentaram 61% em 2009 em relação ao ano anterior, com 4992 casos registados comparativamente com 3113 em 2008. Esta situação acentuou-se particularmente a partir de meados de 2009.

Perspectiva problemática para principais sectores

Nos primeiros nove meses de 2009, as insolvências no sector dos serviços [retalho, turismo, transporte, agências de viagens] aumentaram 144% relativamente a idêntico period homólogo. O sector continuou a ser severamente afectado pela quebra de consume privado e pela relutância dos bancos na concessão de crédito ao consumo. Essa relutância deverá ter por base os indicadores de crescimento no incumprimento dos créditos em 2009 que se situou nos 34%, traduzindo-se no valor mais elevado dos últimos 30 anos. Os especialistas da Crédito y Caución estimam que este cenário se prolongue no médio prazo.

O sector da Construção registou um aumento de 19% de insolvências em relação ao período homólogo. Muitas empresas do sector estão altamente alavancadas e detêm activos que sofreram fortes desvalorizações. A actual situação do mercado aliada às perspectivas para a Indústria detêm os bancos de facilitarem a concessão de crédito.

Por outro lado, as insolvências no sector textil diminuiram 30% em relação ao ano anterior. O sector tem estado numa crise profunda há pelo menos dois anos, devido ao descrédito da sua competitividade. As empresas deste sector estão, regra geral, entre as piores pagadoras, com atrasos entre os 30 e os 60 dias depois da data estipulada. Muitas empresas texteis sofrem problemas de liquidez, e a Crédito y Caución perspectiva que a situação piore tendo em conta as crescents restrições da banca no acesso ao crédito e a diminuição dos subsídios do Estado.

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