As consideráveis diferenças regionais na América do Sul serão mais acentuadas em 2015

Os diversos países da América do Sul enfrentam 2015 com diferenças significativas, como afirma o último estudo sobre a região divulgado pela Crédito y Caución.

Madrid - 21-abr-2015

Os diversos países da América do Sul enfrentam 2015 com diferenças significativas, como afirma o último estudo sobre a região divulgado pela Crédito y Caución. O Chile e a Argentina exemplificam os dois extremos desta realidade continental. A Argentina assistiu a um aumento significativo dos riscos de incumprimento no último ano. O Chile, onde as exportações cresceram quase 8%, apresenta boas perspetivas para 2015. O Brasil, com um crescimento das exportações portuguesas próximo dos 40%, está a tratar de reequilibrar a sua economia. 

Alto risco na Argentina 

Os problemas que a Argentina enfrenta são cada vez maiores. A economia recuou 1,6% em 2014 e espera-se que esta tendência negativa continue em 2015, já que os controlos sobre as alterações e os preços estão a obrigar os produtores a reduzir a sua atividade. A suspensão de pagamentos, na qual o país entrou em julho de 2014, aumentou o intervencionismo para travar a saída de reservas oficiais e a inflação. Algumas empresas internacionais encontram-se a encerrar parcialmente as suas fábricas ou mesmo a abandonar o país perante a escassez das peças importadas necessárias para completar os ciclos de produção.

Qualquer acordo que permita a saída da suspensão de pagamentos não terá lugar antes das eleições de outubro de 2015. O peso argentino ainda se encontra muito sobrevalorizado e existe uma elevada probabilidade de sofrer um ajustamento súbito e descontrolado devido à redução das reservas oficiais, à dificuldade de acesso ao capital após a suspensão de pagamentos e aos consideráveis atrasos de pagamentos externos. A taxa de câmbio do dólar no mercado negro é quase 60% maior do que o oficial, o que reduz a disponibilidade de moedas e irá pressionar ainda mais a rentabilidade das empresas, se ocorrer uma desvalorização do peso. A crescente escassez de moedas para os importadores argentinos é responsável pelo aumento dos atrasos nos pagamentos e inclusivamente nos incumprimentos. Por esse motivo, recomenda-se precaução aos exportadores para a Argentina porque, ainda que no passado não tenha havido problemas com os pagamentos, a situação agravou-se.

Regresso à ortodoxia no Brasil

O crescimento da vasta e diversificada economia do Brasil abrandou em 2014, principalmente devido à frágil procura nacional e internacional e à redução dos preços das matérias-primas. A procura interna viu-se prejudicada pela diminuição da confiança dos consumidores e das empresas como resultado de uma combinação desequilibrada de políticas económicas e do aumento da intervenção do Estado.

A política orçamental revelou-se claramente expansionista nos últimos anos, devido aos investimentos públicos para a exploração dos grandes campos petrolíferos em alto mar, à Copa Mundial da FIFA de 2014 e às Olimpíadas de 2016. Espera-se que o défice orçamental ultrapasse os 6% em 2015, elevando a dívida pública até os 65%. A maior parte desta dívida é financiada internamente na moeda local, com um vencimento médio de sete anos.

Para conjugar os seus desequilíbrios, o Brasil regressou a políticas económicas mais ortodoxas, o que afetará negativamente o crescimento a curto-prazo. É esperado que a economia brasileira cresça apenas 0,3% em 2015. O consumo privado, o principal motor do crescimento do Brasil, vê-se prejudicado pela austeridade necessária para reestabelecer as finanças públicas, como a subida de impostos ou das taxas de juro.

O Brasil necessita urgentemente de uma reforma estrutural que reduza a burocracia e melhore a educação para estimular o crescimento. A atual política económica também ajuda a aumentar o crescimento a longo-prazo. Contudo, não é claro se a Administração irá continuar a apoiar esta linha mais ortodoxa, visto que os ajustes serão politicamente duros. O mal-estar social causado pela baixa qualidade dos serviços públicos, a corrupção e o estado frágil da economia aumentaram.

As previsões indicam que a capacidade de receitas do Brasil irá melhorar a longo-prazo, graças às grandes reservas de petróleo situadas abaixo das camadas mais profundas de rocha e sal nas costas brasileiras, estimadas em 50 mil milhões de barris. O aumento das atividades de exploração destes recursos poderia converter o Brasil num dos maiores produtores de petróleo do mundo. No entanto, para que isso aconteça é necessário grandes investimentos para os projetos em águas-profundas, os quais são especialmente complexos.

Resistência do Chile às crises económicas

A economia aberta do Chile depende em grande medida das exportações de cobre, que representam mais de 50% do seu comércio externo, e do ciclo económico mundial, já que o seu setor financeiro se encontra bem integrado. Porém, a economia mostra-se resistente graças às prudentes políticas macroeconómicas e financeiras e ao baixo nível da dívida pública, inferior a 20% do PIB. A posição económica externa do país é sólida, com um baixo défice da balança de transações correntes. A liquidez externa é suficiente e o acesso ao mercado de capitais é bom.

O clima empresarial do Chile é um dos melhores da região e o governo continua a estimular o investimento estrangeiro através da sua política económica. Um dos principais ativos é a boa infraestrutura e, graças aos acordos de comércio regionais e multilaterais, tem alcançado um forte crescimento do comércio internacional.

Em 2014, a economia enfrentou algumas dificuldades a curto-prazo derivadas do fim do forte crescimento das matérias-primas, sobretudo a redução das importações da China, e à menor procura interna. Em 2015, espera-se que o crescimento económico aumente de novo até os 2,9% graças às políticas de expansão para impulsionar a procura interna, à nova atividade mineira e à retoma económica da procura externa.

Instabilidade da segurança na Colômbia

Apesar do seu considerável progresso económico, a Colômbia ainda regista um nível elevado de pobreza e desigualdade social, especialmente nas zonas rurais, e o mal-estar público aumentou devido à lentidão de resposta a problemas sociais de grande duração. A situação da segurança melhorou claramente após cinco décadas de desafio das guerrilhas, no entanto como não se conseguiu chegar a um acordo de paz definitivo, a situação pode agravar repentinamente, o que teria um efeito notável na confiança das empresas, dos investidores e dos consumidores.

Dada a extensa variedade de produtos mineiros e agrícolas, a Colômbia é uma das zonas mais atrativas da América do Sul para os investidores. Graças a isso e ao aumento do consumo privado e às exportações, o PIB aumentou mais de 4% desde 2011, sustentado por um ambiente empresarial positivo e uma crescente classe média. No entanto, a pobreza e o desemprego mantêm-se em níveis elevados e a infraestrutura deficiente e o elevado índice de corrupção continuam a ser um obstáculo ao desenvolvimento da economia.

Em 2015, é esperado um abrandamento do crescimento de dois décimos. A sólida procura interna deveria manter o crescimento, contudo a dependência da Colômbia das exportações de carvão e energia pressionam num clima de redução de preços das matérias-primas. Com um défice orçamental reduzido a menos de 2% e excedentes primários, a dívida pública encontra-se estável, em torno dos 40% do PIB. A posição da liquidez internacional é sólida e é apoiada por uma excelente reputação nos mercados financeiros e por uma linha de crédito flexível preventiva preparada pelo FMI.

É necessária uma reforma do complicado sistema tributário para enfrentar o problema da extensa economia paralela e melhorar a situação financeira das administrações locais. Além disso, teria que se promover o crescimento do emprego, das reformas sociais e da melhoria da infraestrutura para incentivar o crescimento económico sustentável a longo-prazo.

Conflitos sociais no Perú 

No Perú, apesar do notável progresso económico alcançado nos últimos anos, o país deve ainda procurar combater o elevado índice de pobreza e a grande desigualdade social, especialmente nas regiões costeiras e no centro. Os conflitos sociais continuam a agravar-se, em particular no setor mineiro, cuja importância é fundamental. A falta de um controlo estatal eficaz sobre algumas zonas rurais constitui um desafio.

Entre 2010 e 2013, o Perú registou elevados índices de crescimento anual do PIB em torno dos 6%, no entanto o crescimento abrandou até os 2,7% em 2014, devido à redução dos preços das matérias-primas. Porém, graças à sua sólida situação orçamental e a uma dívida pública inferior a 20%, o Perú tem capacidade para estimular o seu crescimento com o aumento das despesas em investimentos de capital e programas sociais. A estabilidade da liquidez e o grau de solvência reforçam a resistência do Perú contra os impactos económicos externos.

O Banco Central baixou  a taxa de juro de referência várias vezes desde meados de 2014 com o objetivo de apoiar o crescimento. Espera-se que esta medida, juntamente com a finalização de dois grandes projetos mineiros, com a procura dos consumidores nacionais e dos investidores, e com o investimento público em projetos de energia, habitação e saneamento acelerem o crescimento económico em 4,4% em 2015.

A estrutura económica do Perú é bastante fraca. A sua pequena economia aberta depende em grande medida dos minerais como o cobre, o ouro, o petróleo ou o gás, que representam mais de 60% das suas exportações. A esta dependência soma-se a dimensão da economia paralela, que afeta mais de 50% da população ativa, a corrupção ou a má administração do setor público. Para manter as elevadas taxas de crescimento, o Governo deve intensificar as reformas estruturais: reduzir a burocracia fiscal, reforçar o sistema judicial, flexibilizar o mercado de trabalho, melhorar a infraestrutura ou a educação.

As principais ameaças para o panorama económico do Perú são a aterragem forçada da economia chinesa e o aumento do mal-estar social no setor mineiro, que prejudicará o clima de investimentos.

 

Sobre a Crédito y Caución

A Crédito y Caución  é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Portugal, com uma quota de mercado de 23%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 85 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços. Desde 2008 é o operador do Atradius em Portugal, Espanha e Brasil.

Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 50 países, que tem acesso a informação de crédito em mais de 100 milhões de empresas em todo o mundo. O operador global consolida a sua actividade no âmbito do Grupo Catalana Occidente.

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