A recuperação da França abre oportunidades à exportação em 2014

A França, um dos principais mercados de exportação portuguesa, protagonizará uma nova recuperação ao nível do crescimento em 2014 e 2015, impulsionada em grande medida pela melhoria do seu mercado interno.

Madrid - 30-jun-2014

 
França, um dos principais mercados da exportação portuguesa, protagonizará uma nova recuperação do crescimento em 2014 e 2015. Depois de um aumento moderado de 0,3% em 2013, a Crédito y Caución prevê que o PIB da França aumente 0,9% em 2014 e 1,3% em 2015, impulsionado pela melhoria do consumo privado, dos investimentos, do setor industrial e das exportações.
 
A confiança dos consumidores caiu acentuadamente desde 2012 até ao primeiro semestre de 2013, devido à debilidade das perspetivas económicas, das subidas de impostos que desencorajaram as despesas relativas ao consumo, e ao crescimento do desemprego. Desde então, a confiança dos consumidores aumentou num ambiente de melhoria da economia. O consumo privado, que sempre contribuiu em grande medida para o crescimento económico francês, crescerá 0,8% em 2014 e 1,1% em 2015, abrindo novas oportunidades para as empresas portuguesas.
 
A produção industrial francesa, que diminuiu 1,1% face ao período homólogo em 2013, deu mostras de recuperação nos últimos meses. A confiança empresarial foi recuperada novamente desde o segundo semestre de 2013. O prognóstico para a produção industrial é que cresça 1% este ano e um 1,7% em 2015. Embora este seja um indicador positivo, depois de dois anos de contração da produção industrial, esta recuperação ficará limitada devido às quedas de 2012 e 2013.

Os investimentos voltaram a ser recuperados no quarto trimestre de 2013, depois de sofrerem diminuições em todos os trimestres desde o início de 2012. A incerteza económica sobre a regulação dos encargos fiscais e contribuições sociais para as empresas, para além das baixas margens de benefícios, levaram muitas empresas francesas a paralisar os seus investimentos. As previsões para o investimento empresarial em 2014 foram revistas em alta em todos os meses, desde janeiro, situando-se, atualmente, num modesto aumento de 1,1%. Para 2015 prevê-se um aumento notável de 2,4%.

O crescimento das exportações vai manter-se moderado. Depois do crescimento do ano passado de 0,8%, espera-se que alcancem1,8% em 2014 e 3,2% em 2015. A França viu a sua competitividade internacional debilitada, bem como a sua participação no total das exportações mundiais, sendo que a sua participação no total das exportações mundiais caiu em um terço desde 2002.

 

Voltará a França a não cumprir com Maastricht?

A crise de crédito de 2008, as posteriores medidas de estímulo do Governo e a modesta recuperação, geraram um aumento pronunciado da dívida pública nos últimos anos: desde 67% do PIB em 2008 até 94% em 2013. O défice público em 2013 foi reduzido apenas em 4,3%, não cumprindo com o objetivo de 4,1%. De acordo com a Cour de Comptes, a instituição máxima de fiscalização da França, no ano passado, quatro quintos da consolidação das finanças públicas deveram-se às subidas de impostos, em vez dos cortes nos gastos.

No final de abril de 2014, o parlamento francês concordou cortar 50.000 milhões de euros em despesa pública com o objetivo de financiar uma diminuição da pressão fiscal das empresas. Em princípio, o Governo francês fixou como objetivo um défice de 3% em 2015 para cumprir o limite de défice de Maastricht. No entanto, mesmo considerando as medidas do novo orçamento, a Comissão Europeia prevê que o défice orçamental diminua até cerca de 3,9% do PIB em 2014 e 3,4% do PIB em 2015. Esta seria a terceira vez em sete anos que a França não cumpre com os objetivos de défice da União Europeia, que inicialmente se comprometeu a manter.


 
A situação das insolvências

Depois de experimentar crescimentos anuais desde 2007 até 2009, o número de insolvências empresariais diminuiu em 2010 e 2011, em 5% e 1% respetivamente. Não obstante, devido à estagnação da economia francesa em 2012 e 2013, as insolvências voltaram a aumentar 2,4%. Tendo em vista a recuperação económica moderada prevista, a Crédito y Caución espera uma melhoria da situação das insolvências em 2014. Contudo, o número atual de insolvências de empresas excede em mais de 20% o de 2007.

2013 não foi um ano positivo para o setor da construção em França. A previsão de Crédito y Caución é que esta atividade mantenha a sua autonomia em 2014. Os principais atores pressionam os subcontratados, ao mesmo tempo que cresce a concorrência das empresas italianas, espanholas e portuguesas, devido à sua pretensão de aumentar a sua quota de mercado em França, para compensar as perdas sofridas nos seus mercados nacionais. O financiamento é um motivo de preocupação importante para as construtoras francesas, depois de dois anos de resultados deficientes e uma procura escassa. O comportamento de pagamentos do setor foi mau durante os últimos dois anos.

A construção tem a proporção mais elevada no número total de insolvências empresariais da França, em cerca de 30%.  Em 2013, o número de insolvências foi muito elevado, quase tanto como em 2009, no momento mais difícil da crise de crédito. Os setores mais afetados são o da construção e carpintaria, os quais se viram prejudicados pela queda na construção de casas novas. Não prevemos que as insolvências da construção se mantenham mais este ano, mas vão manter os seus níveis elevados.

A alimentação continua a beneficiar da sua reputação em produtos como os vinhos, os champanhes e queijos, e pode atribuir-se algumas marcas genuinamente mundiais na indústria alimentar. Contudo, a maioria das 13.000 empresas alimentares francesas são pequenas: 75% delas tem menos de 20 empregados.

Até agora, o setor demonstrou uma grande capacidade de recuperação, mas a conjuntura do mercado verificou-se mais difícil, como consequência das flutuações de preços das matérias-primas e das relações tensas entre as empresas agroalimentares e as principais cadeias retalhistas.

Simultaneamente, os consumidores ficaram mais sensíveis aos preços, devido aos débeis resultados económicos e ao maior desemprego. Uma vez que as empresas enfrentam custos de produção crescentes, diminuíram as margens brutas. Por conseguinte, é frequente que as empresas alimentares francesas não possam investir o suficiente, e isso produz um efeito adverso na sua competitividade relativamente a outras empresas alimentares europeias.

Diante destes desafios, a indústria encontra-se a desenvolver uma estratégia de reorganização e concentração mediante diversas fusões e alianças, especialmente nos setores de lacticínios e carne. O objetivo é que as empresas alcancem a dimensão crítica necessária para fortalecer o seu poder de negociação com os distribuidores, fomentar as suas vendas a nível internacional e concentrar-se na sua atividade principal ou em menos segmentos.

Sobre a Crédito y Caución
 
A Crédito y Caución  é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Portugal, com uma quota de mercado de 23%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 85 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços. Desde 2008 é o operador do Atradius em Portugal, Espanha e Brasil.

Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 50 países, que tem acesso a informação de crédito em mais de 100 milhões de empresas em todo o mundo. O operador global consolida a sua actividade no âmbito do Grupo Catalana Occidente.

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