Crédito y Caución analisa o complexo contexto do Brasil

O Brasil apresenta boas perspetivas de crescimento para 2014, mas também graves deficiências estruturais que podem funcionar como um travão ao seu desenvolvimento.

Madrid - 19-dez-2013

A economia brasileira perdeu parte do seu fulgor. Depois de um crescimento económico sólido e multissetorial verificado em 2010, fruto das exportações para a Ásia, do aumento dos investimentos feitos e de uma pujante procura interna, a taxa de crescimento baixou para menos de 1% em 2012, expondo as deficiências de uma economia baseada no consumo.

Este ambiente trouxe consigo um acréscimo de riscos para as empresas que exportam para o Brasil. O crescimento verificado antes de 2012 levou a que muitas empresas se endividassem de maneira a aumentar investimentos que proporcionassem maiores vendas. Em muitos casos, os proveitos desses investimentos revelaram-se insuficientes face aos objetivos estabelecidos ou foram convertidos noutros ativos, como bens imobiliários ou empresas não relacionadas. Devido à desaceleração da economia, muitas empresas tiveram dificuldades em respeitar os seus compromissos, situação que se prolongou durante 2013. A recente subida dos juros do Banco Central exercerá uma pressão acrescida sobre a liquidez das empresas endividadas.

O crescimento recuperou algum dinamismo em 2013, impulsionado pelo aumento dos gastos públicos ligados à exploração de enormes jazidas de petróleo e aos eventos desportivos de destaque internacional, como são o Mundial de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O segundo elemento que influí nesta dinamização é o robusto mercado de trabalho que, com uma taxa de desemprego a fixar-se em apenas 5,4%, vai suportando o consumo interno. Contudo, a rigidez do mercado laboral tem contribuído para uma inflação acima dos 4,5%, fixada pelo Banco Central. A subida dos juros para combater a inflação, a saída de capital e o reduzido crescimento das exportações travam uma expansão mais expressiva.

Prevê-se que em 2014 a economia cresça entre 2,5% e 3%. Todavia, dada a importância do consumo privado para a economia, a sustentabilidade dos atuais modelos de consumo revela-se um problema, já que a taxa de endividamento dos consumidores passou de 18% para 44% das receitas disponíveis na última década, colocando o custo do crédito numa margem entre os 20% e os 25% e com juros cada vez mais elevados. A inflação cairá em 2014, mas manter-se-á alta, o que poderá levar à manutenção de uma política monetária restritiva.

Além disso, o Brasil revela outras importantes deficiências estruturais que vão travando o seu desenvolvimento. A carga fiscal é alta comparativamente com outros países em vias de desenvolvimento e apenas 1,5% do PIB brasileiro, tanto de origem pública como privada, são investidos em infraestruturas. O Brasil paga um preço alto em termos de desenvolvimento devido ao péssimo estado de muitas das suas estradas, porto e aeroportos, sem esquecer a sobrecarga no abastecimento de energia. A isto se soma a rigidez e o excesso de regulamentação das suas leis laborais e o crescimento do défice público. Não é expectável que em 2014, com eleições marcadas para Outubro, se abordem reformas com o objetivo de reforçar a estrutura económica do país a longo prazo.

Prevê-se que os superavits comerciais do Brasil comecem a reduzir-se, com o crescimento das importações em detrimento das exportações. A sólida posição económica do Brasil face ao estrangeiro nos últimos dois anos começará, em breve, a deteriorar-se, já que a elevada carga da dívida pública e os crescentes deficits de conta corrente pesam na perspetiva de solvência do país nos próximos anos. Apesar de estes déficits terem sido cobertos até agora, a verdade é que o Brasil é vulnerável às flutuações de perceção por parte dos investidores, como aconteceu em meados de 2013, quando os rumores de que a Reserva Federal dos Estados Unidos poria fim à sua política monetária expansiva, levaram os investidores estrangeiros a retirar o seu capital a curto prazo do Brasil.

Não obstante, a retirada de capital apenas deu lugar a uma redução das reservas internacionais do Brasil, ainda muito elevadas e que lhe permitem dar cobertura a 19 meses de importações. A solvência do Brasil continuará a fazer-se de forma estável. Ao mesmo tempo, a desvalorização do real brasileiro, a partir do segundo trimestre, contribuiu para restabelecer a competitividade internacional do Brasil após largos anos. As empresas brasileiras orientadas para a exportação estão a beneficiar disto mesmo, ao invés das empresas que necessitam das importações ou de produtos americanos ou europeus, que enfrentam custos mais elevados.

 

Sobre a Crédito y Caución

A Crédito y Caución é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Portugal, com uma quota de mercado de 28%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 80 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços.

Desde 2008 é o operador do Grupo Atradius em Espanha, Portugal e Brasil.

O Grupo Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 45 países, que tem acesso a informação de crédito em mais de 100 milhões de empresas em todo o mundo.

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