O risco de crédito na Austrália

Os setores automóvel, bens de consumo duradouro, construção, papel, serviços e têxtil apresentam um elevado risco de incumprimento na Austrália.
 

São Paolo - 17-fev-2021

 

  • Agricultura - Risco médio


O valor acrescentado do setor deverá crescer mais de 8% em 2021, após uma contração de 4% em 2020. A cadeia de transporte e abastecimento do setor foi parcialmente afetada pelas medidas de contenção do coronavírus. Após anos de seca prolongada, a costa leste da Austrália experimentou condições climáticas favoráveis desde o início de 2020, afetando positivamente as colheitas de cereais. A costa oeste continua a viver condições climáticas mais secas do que a média. A China impôs uma tarifa de 80% sobre a cevada australiana e a proibição de exportação de oito dos maiores matadouros da Austrália prejudicou os segmentos de carne bovina e ovina. A China também impôs restrições à lagosta e ao algodão. Após investigação antidumping sobre o vinho australiano pelo governo chinês, Pequim impôs tarifas sobre o vinho australiano de até 212%, a partir do final de novembro de 2020, o que está a influenciar negativamente o risco de crédito do segmento. A relação tensa com a China e a possibilidade de novas proibições de importação e de tarifas continuam a ser um risco negativo e uma ameaça para o setor como um todo, mas também criam oportunidades para expandir as relações comerciais com outros países da Ásia-Pacífico.

 

  • Alimentação e bebidas - Risco baixo


O valor acrescentado do setor deverá crescer 4% em 2021, após uma contração de 2% em 2020. Os transportes e a cadeia de abastecimento da indústria foram afetados pelas medidas de confinamento. Os grossistas e retalhistas de menor dimensão expostos aos setores de restaurantes e hospitalidade foram afetados pela diminuição da procura.

 

  • Automóvel e transporte - Risco elevado


O valor acrescentado do setor automóvel deve recuperar modestamente cerca de 2,5% em 2021, após uma contração de 11,5% em 2020. As vendas começaram a recuperar desde novembro de 2020, sustentadas num plano de redução de impostos implementado pelo governo federal. Com a proibição de viagens internacionais, muitas famílias desviaram os gastos para atualizar os seus veículos quando a economia começou a melhorar. No entanto, as empresas automóvel e de transporte de menor dimensão, que já lutavam antes da pandemia, deverão enfrentar dificuldades. Para essas empresas, os níveis de incumprimento e de insolvência vão aumentar assim que os incentivos fiscais e as leis de proteção à insolvência expirarem. Portanto, no primeiro semestre de 2021 é esperado um ligeiro aumento das falências no setor.

 

  • Bens de consumo duradouro - Risco muito elevado


O valor acrescentado do setor retalhista deverá recuperar modestamente, cerca de 2,5%, em 2021, após uma contração de 5% em 2020. O consumo privado de bens de consumo não alimentares deteriorou-se devido ao impacto do coronavírus, com muitos retalhistas afetados pelos confinamentos. Embora a pressão sobre esse segmento tenha aumentado, as operadoras de e-commerce aumentaram fortemente as suas vendas. Os retalhistas de eletrodomésticos beneficiaram do facto de muitos consumidores a trabalhar em casa terem atualizado alguns dos seus eletrodomésticos, como cafeteiras, aparelhos eletrónicos ou frigoríficos. Desde novembro de 2020, o setor retalhista começou a recuperar, com grandes aumentos em todo o país nas vendas de roupas, calçado e nas vendas em grandes armazéns. No entanto, o incumprimento no segmento retalhista deverá aumentar no segundo trimestre de 2021, após a redução das medidas de estímulo.

 

  • Construção e materiais - Risco elevado


O valor acrescentado da construção deve recuperar 0,5% em 2021, após uma contração de 9% em 2020. A recessão económica do ano passado aumentou o já elevado risco de crédito de muitas empresas da construção, especialmente as mais pequenas. O governo está a estimular o setor com o programa HomeBuilder, que deve apoiar a construção ou reconstrução de 42 mil moradias e que tem como objetivo acelerar os projetos de infraestrutura nos próximos dois anos.

 

  • Eletrónica e TIC – Melhoria do risco de médio para baixo


As TIC continuam a ser um setor lucrativo e o seu valor acrescentado deve aumentar 5% em 2021, após um crescimento de 3% em 2020. O nível de incumprimento e de insolvências a longo prazo permanece baixo em comparação com outros setores. A mudança da vida quotidiana para o online, junto com o trabalho e o ensino à distância, acelerou a transformação digital. As vendas online de hardware informático, equipamentos de escritório doméstico e produtos de jogos online aumentaram.

 

  • Financeiro - Risco baixo


A rentabilidade do setor continua a ser afetada por taxas de juros muito baixas na Austrália. O incumprimento nos empréstimos aumentou, especialmente nas hipotecas, com dados que revelam que mais de 1,4 milhão de famílias australianas estão em stress hipotecário. O malparado deve aumentar ainda mais após o fim dos estímulos fiscais. No entanto, o setor continua robusto até o momento, capaz de responder a estes desafios. O valor acrescentado do setor deverá diminuir apenas 0,5%, em 2021.

 

  • Maquinaria e engenharia - Risco médio


O valor acrescentado da engenharia deve crescer 3% em 2021, após uma contração de 5% em 2020. As empresas neste setor são geralmente financeiramente resilientes em comparação com outros setores. A procura dos principais setores compradores, como a construção e a mineração, diminuiu, enquanto a procura junto do setor agrícola aumentou.

 

  • Metalurgia e extração mineira - Risco médio


O valor acrescentado da atividade mineira deve crescer 1,5% em 2021, após uma contração de 0,2% em 2020. As perspetivas para as exportações de matérias-primas da Austrália melhoraram nos últimos três meses. As receitas de exportação de minério de ferro devem atingir um recorde histórico, dada a forte procura da China e os problemas de fornecimento no Brasil. Embora as condições dos preços sejam difíceis, a procura por metais como lítio, cobre, níquel e zinco está a aumentar, devido ao aumento do uso de veículos elétricos, baterias e energias renováveis. Pelo contrário, o carvão vê-se afetado pela baixa procura devido à pandemia e à recente proibição de exportação da China como mercado-chave. As receitas das exportações de gás natural liquefeito devem diminuir devido ao enfraquecimento dos preços e da procura global.

 

  • Papel - Risco elevado


Em 2020, os produtores de papel foram afetados pela redução da procura devido às medidas de confinamento, ao menor crescimento económico e ao processo de digitalização em curso. O segmento de impressão comercial continua a lutar, pois a pandemia de coronavírus acelerou a tendência de longo prazo de declínio da procura. As empresas cortaram despesas com publicidade e despesas gerais, e a procura por material publicitário físico diminuiu com a mudança para os canais online. Apesar dos subsídios salariais e dos controles de custos muito rígidos, a maioria das empresas não foi capaz de compensar o impacto negativo da redução das receitas. Assim que as medidas de estímulo do governo terminarem após março de 2021, espera-se um aumento das insolvências no segmento de impressão comercial.

 

  • Químico e farmacêutico - Risco médio


A indústria química contraiu ligeiramente em 2020, devido ao declínio da procura, à redução das receitas e às interrupções na cadeia de abastecimento decorrentes dos impactos da pandemia. No entanto, o seu valor acrescentado deve recuperar cerca de 2,5% em 2021. Compreender as mudanças na procura nos mercados finais, como a agricultura e o setor mineiro, será fundamental para a recuperação dos fabricantes de produtos químicos. No ano passado, os retalhistas do setor farmacêutico foram duramente atingidos pelo encerramento das suas lojas físicas, acelerando a mudança para as vendas online. Os fabricantes e grossistas de produtos farmacêuticos tiveram um bom desempenho em 2020, beneficiando do aumento da procura global por produtos de saúde. Espera-se que essa tendência continue em 2021, com previsão de crescimento de quase 4% no valor acrescentado do setor.

 

  • Serviços - Risco muito elevado


Devido às medidas de confinamento, muitos segmentos sofreram forte queda de receitas, com destaque para a hotelaria, restaurantes, bares, espetáculos, eventos culturais, agências de viagens e operadoras turísticas. Nos últimos meses, os setores de entretenimento, hospitalidade e restaurantes viram sinais encorajadores de crescimento dos negócios em toda a Austrália. A procura de lazer no mercado nacional continua a crescer, devido às dificuldades de deslocação para o estrangeiro. No entanto, as perspetivas permanecem incertas e amplamente dependentes do desenvolvimento de novas infeções no país. O valor acrescentado da hotelaria deverá recuperar apenas 14% em 2021, após uma contração de 31% em 2020. As insolvências devem aumentar no segundo trimestre de 2020, especialmente no setor hoteleiro, uma vez que as taxas de ocupação não regressarão aos níveis pré-coronavírus na maioria dos estados até pelo menos 2022, visto que viagens internacionais, por enquanto, estão fora de questão.

 

  • Siderurgia - Risco elevado


O valor acrescentado do setor deverá contrair 2% em 2021, após uma queda de 16,5% em 2020. Embora o aumento da procura na China tenha evitado o pior cenário, a procura permanece baixa noutros países. Os fabricantes estão a sentir os efeitos das margens apertadas devido aos preços ainda altos do minério de ferro. O segmento grossista do aço está a recuperar em parte devido ao aumento da procura associada a projetos promovidos pelas administrações local e pelos governos dos estados.

 

  • Têxtil - Risco muito elevado


O valor acrescentado do setor deverá contrair 0,3% em 2021, após uma redução de 17,5% em 2020. Os grossistas e retalhistas são afetados negativamente pelas mudanças no comportamento dos clientes e pelo aumento da concorrência de novos retalhistas online. Os seus resultados deterioraram-se ainda mais com a queda nas vendas durante os confinamentos. Espera-se que muitas empresas de têxteis sintéticos e naturais fechem, enquanto outras irão realocar as suas operações ou optar por produtos importados mais baratos para cortar custos e melhorar as margens. Atualmente, muitos fornecedores estão a oferecer prazos de pagamento longos. Espera-se que as insolvências aumentem a partir do segundo trimestre de 2021, em especial entre algumas empresas pequenas e não lucrativas, como os fabricantes de tapetes.

 

Sobre a Crédito y Caución


Crédito y Caución é uma das marcas líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Brasil, com uma quota de mercado de 16%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, protegendo-as dos riscos de incumprimento associados a vendas a crédito de bens e serviços. A marca Crédito y Caución também está presente em Espanha e no Portugal. No resto do mundo opera como Atradius. Somos um operador global de seguro de crédito presente em 50 países. A nossa actividade consolida-se no Grupo Catalana Occidente.
 

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