O risco de crédito em França

Em França, os setores automóvel, construção, bens de consumo duradouro, eletrónica, maquinaria, metalurgia, papel, serviços, siderurgia e têxtil apresentam um elevado risco de crédito.
 

São Paolo - 05-abr-2021

 

 

  • Agricultura - Melhoria de risco de elevado para médio


O setor continua a ser afetado pela volatilidade dos preços de vários produtos chave, por uma má colheita de trigo e uma produção de beterraba afetada por doença. Contudo, o setor pode considerar-se resistente graças à sua condição de consumo essencial.

 

  • Alimentação - Melhoria de risco de levado para médio


Há segmentos de empresas afetados pelo encerramento de vários canais de distribuição, como restaurantes e catering, e que enfrentam, por isso, um maior risco de crédito, mas a maioria dos segmentos do setor continuam resistentes. Prevê-se que o valor acrescentado da alimentação aumente mais de 3% em 2021.

 

  • Automóvel e transporte - Risco muito elevado


Em 2020, a produção e venda de automóveis baixou 47% e 27%, respetivamente, face ao ano anterior, o que provocou graves tensões de liquidez e défice de tesouraria. Antes da pandemia as margens já estavam sob pressão. Apesar das amplas medidas de estímulo, as empresas de componentes Tier 1 e 2 e inclusive algumas empresas de média dimensão, enfrentam um maior risco de crédito. Prevê-se que em 2021 a produção recupere apenas entre 10% e 15%. Até agora, a morosidade e as insolvências não aumentaram, mas é esperado que ambos os indicadores aumentem substancialmente a partir do segundo trimestre de 2021, após o termo das medidas de estímulo. No setor de transporte, os resultados do segmento aeronáutico deterioraram-se consideravelmente. O risco de crédito alcançou o seu ponto máximo para as companhias aéreas e para as empresas da cadeia de fornecimento. Dado que os fabricantes de aviões anunciaram uma queda de 20% na produção, os subcontratados sofrem uma redução da atividade entre os 25% e os 40%, sem que se espere uma recuperação real antes de 2024 ou 2025. O segmento necessita de se consolidar e, a curto médio prazo, muitos operadores irão desaparecer. Espera-se que tanto a morosidade como as insolvências acelerem em 2021. 

 

  • Construção e materiais - Risco muito elevado


Antes da pandemia, o setor já apresentava um mau comportamento em termos de pagamentos, com um aumento das dificuldades de tesouraria devido às dificuldades para financiar o capital circulante. As ajustadas margens aumentam o risco de crédito, principalmente entre os operadores de menor dimensão. Calcula-se que o valor acrescentado do setor tenha sofrido uma redução de 12,5% em 2020. Devido à recessão e aos confinamentos, as empresas sofrem uma importante diminuição de atividade, o adiamento de projetos e a redução de encomendas, o que reduziu os fluxos de caixa e a rentabilidade. As insolvências do setor começaram a aumentar no quarto trimestre de 2020. Espera-se um aumento substancial deste indicador em 2021.

 

  • Consumo duradouro – Melhoria de risco de muito elevado para elevado


As vendas recuperaram fortemente a partir de junho de 2020, com o fim do primeiro confinamento e o forte aumento do segmento de comércio eletrónico. A morosidade e as insolvências ainda não aumentaram. Embora se preveja que o valor acrescentado do setor recupere mais de 8% em 2021, a deterioração do poder aquisitivo do consumidor francês, a médio prazo, continua a ser uma preocupação.

 

  • Eletrónica e TIC - Risco elevado


As vendas deterioram-se devido ao encerramento de negócios durante os confinamentos. Alguns retalhistas enfrentam um nível reduzido de entrada de efetivo. Contudo, o gasto das empresas e dos empregados em bens e serviços digitais aumentou devido ao forte incremento do trabalho à distância. A queda do valor acrescentado das TIC em 2020 é menor que noutros setores e a recuperação será mais rápida. Prevê-se que o valor acrescentado das TIC aumente 3,5% em 2021.

 

  • Financeiro - Melhoria do risco de alto para médio


O aumento dos problemas financeiros, tanto das empresas como dos consumidores, que provocam um aumento da morosidade, continua a ser um importante risco de baixa para o setor. No entanto, o setor financeiro conta com o apoio de uma importante quantidade de efetivo injetado pela Administração, através de empréstimos com garantia do Estado para apoiar as empresas. O setor continua financeiramente resistente.

 

  • Maquinaria e engenharia - Risco muito elevado


No primeiro semestre de 2020, a procura nacional e internacional de setores compradores chave, como o setor automóvel e de aeronáutica, deteriorou-se especialmente. A produção manteve-se muito abaixo dos níveis de 2019. No mercado nacional, a atividade diminuiu mais de 13% no ano passado, com descidas de dois dígitos nas receitas. O segmento das máquinas agrícolas foi menos afetado que os restantes. As perspetivas de recuperação dos resultados do setor em 2021 seguem reduzidas. 

 

  • Metalurgia - Risco muito elevado


No primeiro semestre de 2020, produtores e comerciantes sentiram os efeitos da deterioração da procura por parte dos principais setores compradores, como o setor automóvel, aeronáutica, construção e máquinas, e das interrupções na cadeia de fornecimento. Após uma queda de 25% em abril e maio, a atividade voltou ao nível pré-crise em agosto. A evolução da carteira de pedidos é positiva, ligada às atividades de obras públicas. Prevê-se que o valor acrescentado do setor recupere 12% em 2021, após uma contração de 19% em 2020. Contudo, as empresas poderiam enfrentar graves tensões de tesouraria assim que terminem as medidas de estímulo. Prevê-se que tanto a morosidade como as insolvências aumentem no primeiro semestre de 2021.

 

  • Papel - Risco muito elevado


Os produtores de papel são afetados por uma redução da procura devido às medidas de confinamento e ao avanço da digitalização. Após uma contração de 3,5% em 2020, prevê-se que o valor acrescentado do setor recupere 2,5% em 2021. Alguns segmentos de nicho, ligados aos setores de embalagem e higiene, são bastante resistentes.

 

  • Químico e farmacêutico - Risco médio


O setor químico demonstrou ser resistente durante a pandemia. Contudo, recomenda-se precaução no segmento de plásticos, onde muitas empresas são subcontratadas dependentes dos setores automóvel e aeronáutico. As empresas farmacêuticas beneficiaram do aumento das despesas com a saúde e prevê-se que o seu valor acrescentado tenha um crescimento de 5% em 2021.

 

  • Serviços - Risco muito elevado


A pandemia afetou especialmente aos segmentos hoteleiro, catering, restaurantes, bares, espetáculos, eventos culturais, agências de viagens e operadores turísticos. Especialmente o turismo, que contribui diretamente para mais de 7% do PIB francês, foi gravemente afetado. Calcula-se que o valor acrescentado da hotelaria tenha contraído 25% em 2020. A Administração francesa implementou várias medidas de estímulo para apoiar o setor. Contudo, muitos negócios ainda não reabriram e pode acontecer que não voltem a fazê-lo.  As perspetivas para os próximos seis meses continuam a ser más e espera-se que qualquer recuperação seja lenta. Após uma contração estimada de 10,5% em 2020, prevê-se que o valor acrescentado dos serviços recupere apenas 4,5% em 2021.

 

  • Siderurgia - Risco muito elevado


Os produtores e comerciantes de aço foram afetados pela deterioração da procura dos setores compradores chave, como o setor automóvel, aeronáutica, construção e máquinas, e pelas interrupções na cadeia de fornecimento. A produção siderúrgica em França caiu 23% nos últimos onze meses, e o excesso de capacidade que já era um problema estrutural para este setor antes da pandemia, é atualmente mais alto do que nunca. O número de empresas ativas neste setor diminuiu nos últimos anos, ficando principalmente as empresas de maior dimensão. Para estas, o risco de insolvência não é demasiado elevado. Contudo, o aumento da morosidade poderia ter um efeito negativo ao longo da cadeia de valor. Prevê-se que o valor acrescentado do sector recupera 10% em 2021, após uma contração de 20% em 2020.

 

  • Têxtil - Risco muito elevado


Os produtores, grossistas e retalhistas já apresentavam problemas antes da pandemia com uma concorrência feroz e margens escassas. Além disso, viram-se afetados pela deterioração das vendas devido aos confinamentos e à diminuição do consumo. Após uma contração em 2018 e 2019, o valor acrescentado do setor voltou a contrair em 2020, uns 20%, e prevê-se uma recuperação de apenas 1% em 2021. As insolvências e o encerramento de empresas aumentaram em 2020, e espera-se mais insolvências em 2021.

 

Sobre a Crédito y Caución


Crédito y Caución é uma das marcas líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Brasil, com uma quota de mercado de 16%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento  das empresas, protegendo-as dos riscos de incumprimento associados a vendas a crédito de bens e serviços. A marca Crédito y Caución também está presente em Espanha e no Portugal. No resto do mundo opera como Atradius. Somos um operador global de seguro de crédito presente em 50 países. A nossa actividade consolida-se no Grupo Catalana Occidente.
 

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