O risco de crédito em França

Os setores franceses da construção, automóvel, consumo duradouro, maquinaria, metalurgia, papel, serviços, siderurgia e têxtil apresentam um elevado riso de incumprimento.
 

São Paolo - 13-jul-2021

 

 

  • Agricultura - Risco médio


Prevê-se que o valor acrescentado do setor diminua cerca de 4% em 2021. Embora a agricultura possa ser um setor considerado resiliente pelo seu estatuto de consumo essencial, continua a ser afetado pela volatilidade dos preços de vários produtos essenciais. Este ano, uma geada incomum no início da primavera danificou cultivos e vinhas em todo o país. Como resultado, o governo anunciou ajudas aos agricultores afetados.

 

  • Alimentação - Risco médio


Embora algumas empresas continuem a ser afetadas pelo encerramento de vários canais de distribuição, como os restaurantes e os serviços de catering, e enfrentem um maior risco de crédito, a maioria dos segmentos mantém-se resiliente. O valor acrescentado do setor alimentar deverá aumentar cerca de 3% em 2021.

 

  • Automóvel e transporte - Risco muito elevado


A produção do setor automóvel deve aumentar cerca de 22% este ano, depois de cair 28% em 2020. No entanto, apesar da forte recuperação, a situação de risco de crédito para muitas empresas mantém-se tensa na medida em que o declínio em 2020 provocou graves tensões de liquidez e défice de caixa. Apesar das amplas medidas de estímulo, como o gasto direto e as medidas de redução de impostos, muitos subcontratados de nível 1 e nível 2, e até mesmo algumas empresas de médio dimensão, enfrentam maior risco de crédito. A produção na indústria aeroespacial francesa vai recuperar cerca de 13%, mas a contração foi superior a 30% em 2020. Os subcontratados vão continuar a registar uma atividade moderada e não se espera uma recuperação real antes de 2024 ou 2025. Como o segmento precisa de consolidação, a curto e médio prazo iremos verificar o desaparecimento de muitos operadores.

 

  • Construção e materiais - Melhoria do risco de muito elevado para elevado


Com a melhoria das perspetivas de crescimento para este ano, as perspetivas do setor também melhoram, mas devido a alguns problemas importantes continua a apresentar um risco de crédito elevado. O setor da construção apresentava um mau desempenho antes da pandemia, com problemas de liquidez resultantes das dificuldades de financiamento às necessidades de capital circulante. A produção da construção contraiu 14% em 2020. Enquanto a atividade de construção residencial e não residencial continuou a diminuir no início de 2021, o segmento de reformas e renovações permaneceu resistente até ao momento. A construção deve recuperar cerca de 12% em 2021, mas a escassez de materiais, a volatilidade dos preços dos insumos e o adiamento do projeto afetam as empresas com margens mais estreitas. Graças aos estímulos fiscais, as insolvências permaneceram baixas em 2020 e no primeiro trimestre de 2021, mas é esperado um aumento no final deste ano. 

 

  • Consumo duradouro - Risco elevado


O valor acrescentado do setor contraiu 9% em 2020, já que o consumo privado de bens de consumo não alimentar se deteriorou devido ao impacto do coronavírus e muitos negócios fecharam temporariamente devido aos confinamentos. Embora seja esperado que o comércio retalhista cresça 6% em 2021, continua a ser preocupante a deterioração do poder aquisitivo dos consumidores franceses a médio prazo.  

 

  • Eletrónica e TIC - Melhoria do risco de alto para médio


As vendas deterioraram-se com o encerramento de lojas e alguns retalhistas enfrentam um nível de liquidez reduzido. No entanto, os gastos das empresas e dos funcionários com bens e serviços digitais aumentaram devido ao forte aumento no teletrabalho. A produção de TIC vai crescer 5% este ano.

 

  • Financeiro - Risco médio


O aumento dos problemas financeiros para as empresas e para os consumidores, que se traduz num aumento do crédito malparado, continua a ser um risco negativo para o setor. No entanto, o setor financeiro é apoiado por uma quantidade significativa de dinheiro injetado por empréstimos com garantias do Estado para apoio às empresas. O setor permanece financeiramente resistente e o seu valor acrescentado deve crescer mais de 4% em 2021, após uma queda de 5% em 2020.

 

  • Maquinaria e engenharia - Melhoria do risco de muito elevado para médio


A produção de máquinas deve recuperar 13% em 2021, após uma contração semelhante em 2020. Após um período difícil, devido ao congelamento de investimentos em muitos setores, iniciou-se uma recuperação desde finais de 2020. As perspetivas continuam positivas para a segunda metade de 2021 e para 2022, graças a investimentos de capital que tinham sido adiados.

 

  • Metalurgia - Melhoria do risco de muito elevado para elevado


No primeiro semestre de 2020, os produtores e comerciantes de metais foram afetados pela deterioração da procura por parte dos principais setores compradores, como o setor automóvel, aeronáutico, construção e máquinas, bem como por interrupções na cadeia de fornecimento. No entanto, a atividade do setor voltou ao nível pré-crise a partir de agosto de 2020. A indústria tem beneficiado da atividade no setor de obras públicas e de um bom nível de preços. Tanto as encomendas como as vendas vão continuar a crescer já que a procura de alguns setores chave, como o automóvel, construção e máquinas, continua a aumentar. O valor acrescentado do setor deve aumentar 17% em 2021, após uma contração semelhante em 2020. Embora os produtores estejam a beneficiar dos atuais preços de venda mais elevados resultantes do aumento da procura e da escassez de produtos metálicos, o aumento dos preços devido à falta de matérias-primas é um problema. Além disso, assim que terminem os estímulos fiscais, as empresas poderão continuar a enfrentar fortes tensões de tesouraria.

 

  • Papel e impressão - Risco muito elevado


Os produtores de papel foram atingidos por uma diminuição da procura devido às medidas de confinamento e à digitalização em curso. Após uma contração de 4% em 2020, o valor acrescentado do setor deverá recuperar apenas 1% em 2021. Apesar dos problemas gerais, alguns segmentos nicho ligados aos setores relacionados com as embalagens e a higiene são bastante resistentes.

 

  • Químico e farmacêutico - Risco médio


O setor químico provou ser bastante resistente durante a pandemia. Embora tenha sofrido com algumas interrupções na cadeia de abastecimento, toda a indústria voltou a funcionar em junho de 2020. O valor acrescentado do setor deverá aumentar cerca de 7% este ano. No entanto, recomenda-se cautela quanto ao subsetor dos plásticos, onde muitas empresas são subcontratadas e dependem da indústria aeronáutica. As empresas farmacêuticas beneficiam do aumento dos gastos com a saúde e o seu valor acrescentado deverá aumentar 3,5% em 2021, após um crescimento de 3% em 2020.

 

  • Serviços - Risco muito elevado


Devido às exaustivas medidas de confinamento, muitos segmentos foram fortemente afetados, com destaque para a hotelaria, restaurantes, bares, espetáculos, eventos culturais, agências de viagens e operadores turísticos. Após uma contração de 10% em 2020, este ano o setor deve recuperar cerca de 4%. Contudo, a recuperação do segmento turístico aos níveis do passado vai levar ainda algum tempo. Os fluxos não vão recuperar totalmente em 2021, na medida em que as pessoas vão evitar viajar para limitar os riscos para a saúde. Com a diminuição das restrições, o segmento hoteleiro, que foi duramente atingido, irá recuperar cerca de 8% em 2021, após uma contração de 29% em 2020.

 

  • Siderurgia - Melhoria do risco de muito elevado para elevado


Este ano, os produtores e comerciantes de aço vão sentir uma recuperação nas encomendas e nas vendas na medida em que a procura por parte de alguns setores compradores importantes, como o automóvel, construção e máquinas, está a aumentar. O valor acrescentado do setor deve aumentar 17%, após uma contração de 19% em 2020. Embora, atualmente, os produtores estejam a beneficiar de preços de venda mais altos, devido ao aumento da procura e à escassez de aço e de produtos de metal, o aumento nos preços dos insumos devido à falta de matérias-primas constitui um problema. Nos últimos dois anos, o número de agentes ativos neste setor diminuiu, permanecendo principalmente os operadores de maiores dimensões. Para estes, o risco atual de insolvência não é muito elevado.

 

  • Têxtil - Risco muito elevado


Produtores, grossistas e retalhistas já sofriam, antes da pandemia, os impactos de uma concorrência feroz e de margens bastante reduzidas. Além disso, foram afetados pela deterioração das vendas com os confinamentos e pela diminuição do consumo privado. Após contrair em 2018 e 2019, o valor acrescentado do setor voltou a reduzir 18% em 2020 e para este ano é esperada uma recuperação de apenas 8%. Os retalhistas com lojas físicas lutam com um baixo fluxo de caixa e enfrentam custos fixos elevados. Os incumprimentos e as falências aumentaram em 2020 e é esperado que estes indicadores voltem a crescer em 2021.  

 

Sobre a Crédito y Caución


Crédito y Caución é uma das marcas líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Brasil, com uma quota de mercado de 18%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, protegendo-as dos riscos de incumprimento associados a vendas a crédito de bens e serviços. A marca Crédito y Caución também está presente em Espanha e no Portugal. No resto do mundo opera como Atradius. Somos um operador global de seguro de crédito presente em 50 países. A nossa actividade consolida-se no Grupo Catalana Occidente.
 

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