A crise na China não deve ser sobrestimada

O impacto da queda da bolsa teve poucas consequências na economia real.
Madrid - 20-out-2015

O risco de um abrandamento forçado da economia chinesa aumentou. Contudo, não é esse o cenário principal: o impacto da crise do mercado de valores da China e a desvalorização do renminbi não devem ser sobrestimados. Esta é a principal conclusão do relatório divulgado pela Crédito y Caución sobre a China, o qual avalia o impacto da evolução do mercado asiático sobre a economia global.

Desde meados de Junho, que o mercado de valores de Shanghai sofreu a maior queda das últimas décadas, embora o impacto sobre a economia real seja limitado, já que o tamanho relativo do mercado de ações é pequeno em relação à economia chinesa. Não caiu apenas a bolsa de valores. O renminbi também sofreu uma desvalorização comparativamente ao dólar americano, uma ação que os mercados interpretaram como um apoio às exportações chinesas e ao crescimento económico. Contudo, de acordo com as previsões publicadas no relatório, o renminbi encontra-se ainda 20% acima do seu valor.

Os dados económicos da China assinalam dificuldades no crescimento económico. Tanto os investimentos como a produção industrial desaceleraram, ao mesmo tempo que caem as exportações, em relação a 2014. Não obstante, nem tudo são más notícias. Os indicadores do mercado de consumo e de trabalho permanecem fortes.

As dificuldades de crescimento e a turbulência do mercado levaram o Banco Central a reduzir as taxas de juro e os requerimentos de reservas para os bancos, de forma a suster o crescimento económico em níveis aproximados do objetivo oficial de 7%. O apoio do Governo à economia chinesa não será impedimento para o agravamento de algumas vulnerabilidades. As baixas taxas de juro provocaram um aumento do endividamento, elevando a proporção da dívida face ao do PIB acima dos 280%.

Grande parte deste endividamento foi gerado pelos governos locais e empresas de propriedade estatal. Por outro lado, o setor imobiliário juntamente com o setor da construção, motores de crescimento desde 2008, mantêm-se fortemente endividados. O Governo está consciente desta fragilidade, que eleva os riscos de incumprimento, pelo que se planeia uma agenda de reformas para fazer frente à mesma. O reequilíbrio da economia face a um maior consumo interno continua a ser um processo demorado, mas fundamental para sustentar o crescimento acima de 5%. Neste ambiente, a economia chinesa continua em desaceleração, o que afetou especialmente os países exportadores de produtos básicos e de matérias-primas, como a Indonésia e a Malásia.

 

Sobre a Crédito y Caución

A Crédito y Caución  é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 85 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços. Desde 2008 é o operador do Atradius em Brasil, Espahna e Portugal.

Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 50 países, que tem acesso a informação de crédito em mais de 100 milhões de empresas em todo o mundo. O operador global consolida a sua actividade no âmbito do Grupo Catalana Occidente.

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