Rússia em recessão mais suave do que o previsto

A economia russa entrou numa longa e prevista recessão. Contudo, a sua profundidade é menor do que o esperado.

Madrid - 02-set-2015

A Rússia entrou numa longa recessão. A economia contraiu-se 1,9% numa perspetiva interanual no primeiro trimestre de 2015, devido principalmente à descida do consumo interno. A recessão coloca a Rússia numa situação difícil, mas a sua profundidade é menos severa do que o esperado. As previsões de consenso divulgadas pela Crédito y Caución, uma das principais seguradoras em seguro de crédito interno e exportação em Portugal, reduzem a descida do PIB em 2015 para 3,5%, oito décimas menos que em fevereiro. De acordo com as previsões atuais, a economia russa voltará a crescer 0,5% em 2016.

Os cortes sucessivos das taxas de juro pelo Banco Central, que impulsionaram levemente o crédito empresarial, na segunda metade de 2015, contribuíram para a melhoria das expectativas. O rublo também recuperou significativamente desde a sua descida de 42% face ao dólar norte-americano no final de 2014. Por outro lado, reduziram-se as saídas de capital devido à reestruturação do calendário de devolução da dívida. A valorização do rublo, a recessão e as medidas de austeridade desenvolvidas pelo Governo para travar a despesa pública reduziram a pressão sobre a inflação, que se situará em torno dos 7%, em 2016.

O declínio rápido das reservas oficiais em 2014 gerou uma preocupação por parte dos analistas, devido à possibilidade de uma crise iminente na balança de pagamentos. Um esgotamento das reservas poderia conduzir a uma crise monetária clássica, em que o país não pode fazer frente aos seus pagamentos em moeda estrangeira, o que levaria ao colapso dos fluxos de capital internacionais. Este cenário é potencialmente devastador para uma economia. Contudo, a preocupação foi exagerada. Prevê-se que os 385.000 milhões de dólares de reservas oficiais da Rússia no final de 2014 caiam até aos 308.000 milhões em 2015 e 278.000 em 2016.

A desaceleração significativa na diminuição das reservas, motivada, em parte, pela mudança nos fluxos de investimento, não resolve, no entanto, o problema. No Outono de 2014 avaliou-se a possibilidade de impor controlos de capital. Contudo, o Governo russo nega-se a adotar estas medidas. No entanto, alguns dados permitem pensar que já se encontram a ser desenvolvidos controlos moderados de capital, como um limite na compra de moedas para bancos e empresas. De acordo com os cálculos do relatório divulgado pela Crédito y Caución, as reservas e os rácios de liquidez da Rússia vão continuar em níveis aceitáveis em 2015 e 2016, afastando o fantasma da crise monetária.

O refinanciamento permanente continua a ser o principal problema para muitas empresas russas, que têm de fazer frente a descidas nos seus volumes de vendas e margens. O setor externo russo encontra-se a sofrer consideravelmente. Os dados oficiais mostram uma descida de 37% das importações e de 26% das exportações.

As sanções russas à importação de alimentos e produtos agrícolas abalaram o setor alimentar nacional, especialmente em produtos como o peixe, a carne e lácteos. Desenvolveram-se situações de não pagamento em empresas de importação e distribuição que trabalham principalmente com produtos alimentares europeus. Entretanto, algumas das principais holdings agrícolas russas conseguiram crescer nos últimos 12 meses, graças às oportunidades que oferece o protecionismo estatal. O setor da distribuição continuou a sua expansão e não se viu afetado pelas sanções.

Os setores da eletrónica e eletrodomésticos viram-se especialmente afetados pela evolução do rublo, com alguns processos de insolvência significativos. Prevemos que o atual processo de consolidação continue, em detrimento de empresas regionais de média dimensão.

A combinação da descida da procura interna e externa, da deterioração dos preços, dos riscos monetários elevados e do aumento dos custos de capital, gerou problemas a todos os atores da indústria pesada e construção, incluindo as empresas nacionais de petróleo e gás. A principal preocupação centra-se em grandes empresas fortemente endividadas de setores como o metalúrgico, mineiro, construção, infraestruturas, transportes, produção de maquinaria e engenharia.

 

Sobre a Crédito y Caución

A Crédito y Caución  é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 85 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços. Desde 2008 é o operador do Atradius em Brasil, Espahna e Portugal.

Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 50 países, que tem acesso a informação de crédito em mais de 100 milhões de empresas em todo o mundo. O operador global consolida a sua actividade no âmbito do Grupo Catalana Occidente.

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