Japão procura crescimento

A Crédito y Caución previne relativamente ao agravamento das finanças das empresas japonesas dependentes de produtos importados, devido à depreciação do iene.

Madrid - 24-jul-2015

Após vinte anos marcados pelos episódios de deflação e de fraco crescimento económico, o Japão pôs em marcha em 2012 a denominada Abeconomia ou a estratégia das três flechas. No entanto, apesar da política monetária “descontraída”, dos amplos pacotes de estímulo orçamental ou das reformas estruturais, o crescimento do PIB estabilizou em 2014, devido, principalmente, a uma contração de 1,2% do consumo privado, que representa 60% da economia japonesa. O aumento do imposto de valor acrescentado de 5% para 8% em abril de 2014 foi a principal causa que conduziu à queda do consumo. Para que este possa recuperar em 2015, o Governo adiou até abril de 2017 o segundo aumento fiscal, até 10%, previsto inicialmente para outubro deste ano.

Neste clima de congelamento fiscal, o último estudo divulgado pela Crédito y Caución sobre o país asiático prevê um crescimento do PIB de 0,9% em 2015 e de 1,4% em 2016, após a recuperação do consumo privado.

A Crédito y Caución prevê que as insolvências empresariais, que acompanham o Japão desde 2009, sofram uma diminuição adicional de 10% em 2015. Contudo, as pequenas empresas de determinados setores como o comércio a retalho e a construção são mais vulneráveis, pela redução das suas margens. Por outro lado, as empresas que dependem de produtos importados também enfrentam um aumento das despesas, devido à depreciação do iene, o que poderia prejudicar a resistência financeira.

O Banco do Japão iniciou em 2013 um programa de flexibilização quantitativa com o objetivo de desvalorizar o iene, impulsionar as exportações, desencorajar as importações e aumentar a inflação até 2%, o qual foi alargado em 2014 e continuará em 2015. Espera-se que, mediante o crescimento da quantidade de moeda em circulação, as empresas e os consumidores tenham mais dinheiro para gastar.

Por outro lado, em 2014, as exportações de bens e serviços aumentaram acima dos 8% e está previsto um crescimento de 8,3% em 2015 e de 6% em 2016. Adicionalmente, a descida do preço do petróleo também beneficia a conta corrente do Japão, dado que a compra de combustíveis fósseis e gás aumentou desde 2011, como forma de compensar a perda de energia nuclear após o terramoto e o tsunami.

Após um longo período de uma política orçamental menos rigorosa, o Governo japonês apresenta dificuldades para combater a sua elevadíssima dívida pública, superior a 200% do PIB. O Japão depende principalmente dos credores nacionais para financiar a sua dívida. No entanto, manter este nível de endividamento é dispendioso e, a médio-prazo, insustentável. Dito isto, as medidas de reforma estrutural e o aumento dos impostos de abril de 2014 irão ajudar a reduzir o défice fiscal. Espera-se que a dívida pública desça dos 200% no próximo ano.

O Japão enfrenta desafios demográficos significativos. A população está a diminuir, assim como o número de pessoas em idade ativa. Sem a adoção das medidas adequadas, os japoneses deverão, inevitavelmente, enfrentar a redução da matéria coletável e o aumento das despesas de prestações por aposentadorias. Muitas indústrias já se encontram lesadas pela escassez de mão-de-obra, o que dá origem a maiores custos laborais e prejudica a sua competitividade internacional.                                

Para garantir uma recuperação sustentável e impulsionar o desempenho económico do país a longo-prazo, existe uma necessidade urgente de flexibilizar o mercado de trabalho, pôr termo à proteção para agricultores, médicos e empresas farmacêuticas e introduzir uma maior desregulamentação da atividade empresarial. O Governo anunciou a sua intenção de abordar estas questões na legislatura atual, contudo as reformas ainda enfrentam uma forte oposição por parte de grandes grupos de interesse.

 

Sobre a Crédito y Caución

A Crédito y Caución  é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 85 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços. Desde 2008 é o operador do Atradius em Brasil, Espahna e Portugal.

Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 50 países, que tem acesso a informação de crédito em mais de 100 milhões de empresas em todo o mundo. O operador global consolida a sua actividade no âmbito do Grupo Catalana Occidente.

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