O preço do petróleo terá impacto na Rússia

A Rússia conseguiu evitar a recessão em 2014. Contudo, deve preparar-se para uma tempestade económica inevitável em 2015, face à descida do preço do petróleo.

Madrid - 11-mar-2015

A Rússia evitou a recessão em 2014. A sua economia, dominada pelo gás e pelo petróleo, cresceu 0,6%, impulsionada pelo consumo privado, com o desemprego a atingir mínimos históricos de 4,9%, um excedente da balança corrente de 2,6% e uma dívida externa limitada a 34% do PIB. Em meados de janeiro de 2015, as reservas de divisas no Banco Central eram de 380.000 milhões de dólares, o que pressupõe 10 meses de cobertura das importações.

Em conjunto com estes números, que passam um retrato de solidez financeira e moderadamente positiva em 2014, existem sinais claros que indicam que a situação económica se está a deteriorar rapidamente. O investimento bruto caiu em relação a 2013. As reservas de divisas caíram mais de 20% em 2014, enquanto o Banco Central tentava, em vão, impedir a desvalorização do rublo, que perdeu quase 50% de seu valor em relação ao dólar, o que causou um aumento da inflação até alcançar quase 10% no final do ano. A bolsa de Moscovo caiu mais de 60%, ressaltando a gravidade da perda de confiança.

Este é apenas o começo. Prevemos que a economia russa caia entre 3,5% e 4% em 2015. A contração poderá ser inclusivamente mais impulsionada pelos três problemas económicos da Rússia: a falta de investimento, as sanções internacionais e o preço baixo do petróleo. A Rússia deve preparar-se para uma tempestade económica inevitável em 2015.

Os dados de 2014 destacam a falta crónica de investimento da economia russa. Este cenário já era evidente em 2013, antes da crise na Ucrânia, quando o aumento da saída de capital alcançou os 65.000 milhões de dólares. A Rússia precisa urgentemente de investimento para modernizar o seu setor energético. Os campos da Sibéria Ocidental, que representam 90% do petróleo russo, encontram-se em níveis máximos de produção. A exploração dos campos árticos exigiria um investimento de 700.000 milhões de dólares até 2035, segundo a Agência Internacional de Energia. Outros setores de produção também necessitam de investimento.

A intervenção russa na Ucrânia também gerou custos económicos. Não apenas de forma direta, associados ao envio ativo de tropas e à atenção às zonas da Crimeia e do Leste da Ucrânia, controladas pelos separatistas ucranianos, mas também derivado às sanções internacionais e, paradoxalmente, da própria resposta russa.

As sanções dos EUA e da União Europeia são dirigidas aos oficiais russos e às empresas de defesa e de energia, que enfrentam severas restrições de acesso à tecnologia e a financiamento externo. As sanções sobre as empresas do setor energético são as mais eficazes no curto prazo. Com o acesso bloqueado à tecnologia energética, e sem meios para a adquirir noutro lugar, o investimento em empresas russas está em perigo. Estas sanções estão a atacar o ponto fraco: o investimento.

No entanto, a maior ameaça para a economia russa é o contínuo declínio do preço do petróleo. O setor da energia é responsável por 30% do PIB russo, 70% das exportações e 50% das receitas do governo. O preço do petróleo caiu devido ao aumento da oferta para 50 dólares por barril. Espera-se que recupere até aos 75 dólares em 2015, mas estará ainda muito abaixo dos 95, valor com o qual a Rússia está a fazer a suas previsões económicas.

Por outro lado, a desvalorização do rublo aumenta preocupações sobre a inflação. A depreciação começou na primavera de 2014, quando a incerteza sobre a anexação da Crimeia aumentou a saída de capital. O Banco Central da Rússia tentou travar a desvalorização por meio de intervenções no mercado de divisas, gastando até ao início de 2015, mais de 95.000 milhões de dólares, 25% das suas reservas. Quando o preço do petróleo começou a cair, esta política tornou-se insustentável. A desvalorização do rublo atingiu 60%, o que encarece o custo das importações, especialmente de alimentos e laticínios, escassos, como resultado das sanções de resposta da Rússia. Para lidar com a ameaça da inflação, o Banco Central da Rússia aumentou as taxas de juros, que chegaram a atingir 17,5%, restringindo ainda mais os investimentos.

 

Preparando-se para a tempestade

A economia russa enfrenta 2015 com debilidade, afetada pelas sanções internacionais e pelos preços baixos do petróleo. É muito pouco provável que consiga evitar uma recessão e esta será significativa. Espera-se que o investimento diminua 16,5% e o consumo das famílias, que cairá 6%, não poderá manter a economia como em 2014. O setor externo vai proporcionar algum alívio, uma vez que a debilidade do rublo irá impulsionar exportações de setores não energéticos e levar a uma contração das importações de 30%, mantendo a conta corrente positiva. A partir de 2016 pode perceber-se alguma recuperação.

Estas previsões estão associadas a uma recuperação do preço do petróleo até aos 75 dólares, e ao abrandamento das sanções internacionais a partir do verão. Se não se verificar uma alteração no preço do crude, a economia russa pode ser muito mais afetada e a contração económica poderá chegar a 7% ou 8%. A pressão sobre o rublo pode agravar a situação, ou mesmo provocar o pânico na Banca, razão pela qual o Banco Central da Rússia continua a dedicar divisas para travar a desvalorização, mas esta despesa está a pressionar os níveis das reservas. No caso de esgotar-se, a Rússia não terá acesso a empréstimos de emergência, devido às sanções.

 

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