A análise

07-12-2016

Aumento das insolvências na zona NAFTA

Estados Unidos e Canadá fecharam 2016 com crescimento das insolvências empresariais. O México registou um aumento da mora empresarial após a depreciação do valor do peso.

 

 

Que impacto terá a mudança de administração dos Estados Unidos no México e Canadá? De acordo com o relatório divulgado pelo Crédito y Caución, seguradora de créditos líder na Península Ibérica, o aumento da incerteza sobre a zona NAFTA (tratado livre de comércio da América do Norte) já está a ter os primeiros efeitos, especialmente no México que já registou uma depreciação significativa do peso mexicano. Embora este desenvolvimento proteja a competitividade da economia mexicana, também impulsiona a inflação e as taxas de juros que, em breve, situar-se-ão acima dos 5% em comparação com os 3% do ano passado, o que afeta negativamente a procura interna.

 

 

 

As previsões de crescimento do PIB mexicano – em torno de 2% em 2017 e 2018 – podem agravar-se se a nova administração dos Estados Unidos renegociar o Tratado de Livre Comércio, através da imposição de taxas sobre produtos mexicanos e controlo de capital sobre remessas. O aumento da insegurança económica pode, de igual forma, prejudicar o investimento direto estrangeiro no México, especialmente no setor do petróleo. A depreciação do peso afeta particularmente as empresas que dependem de produtos importados ou que estão endividadas com dólares americanos. Os setores mais afetados serão o automóvel, eletrónico, de maquinaria e petróleo. A liquidez das empresas vê-se prejudicada, na medida em que estas não podem aumentar os custos aos seus consumidores. Alguns já começaram a atrasar os pagamentos na esperança de o peso se reforçar novamente.

O Canadá, quinto maior produtor de petróleo do mundo, viu-se afetado pela diminuição do preço do mesmo. O potencial da indústria para compensar a deterioração no setor da energia é limitada, já que o setor perdeu competitividade internacional e, a sua contribuição para o PIB tem diminuído de forma constante nos últimos anos. Neste ambiente, as insolvências das empresas canadienses, vão aumentar 2% em 2016. Olhando para 2017, a incerteza aumentou após o resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos. Qualquer iniciativa da próxima administração dos EUA sobre políticas comerciais mais protecionistas ou renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte teria um impacto negativo para a economia do Canadá.

Nos Estados Unidos, de igual forma, é esperado que as insolvências empresariais fechem 2016 com um aumento cerca de 4%, na medida em que as empresas exportadoras lutam com a perda de competitividade devido ao fortalecimento do dólar e os contínuos problemas do setor do petróleo e gás, onde a perda de benefícios obrigou muitos negócios a declararem falência. Um número significativo de empresas altamente alavancadas durante o período de expansão enfrentam agora reduzido acesso ao financiamento bancário e ao mercado de capitais. Prevê-se que o crescimento económico dos Estados Unidos abrande em 2016 e volte a crescer em 2017. O consumo doméstico é responsável por, aproximadamente, 70% do PIB dos Estados Unidos e tem sido o principal motor de crescimento desde 2014. Espera-se que o consumo privado continue a sustentar o crescimento económico dos Estados Unidos, incentivado pela valorização do dólar.

 

Sobre a Crédito y Caución

A Crédito y Caución é um dos operadores líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Portugal, com uma quota de mercado de 25%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, há mais de 85 anos, protegendo-as dos riscos associados às vendas a crédito de bens e serviços. Desde 2008 é o operador do Atradius em Portugal, Espanha e Brasil.

Com uma quota do mercado de 23%, a Atradius é o operador global de seguros de crédito, presente em 50 países, que proporciona a cobertura em 240 mercados e tem acesso a informação de crédito em mais de 200 milhões de empresas em todo o mundo. O operador global consolida a sua actividade no âmbito do Grupo Catalana Occidente.